“...Havia quatro covas e em uma delas se depositou madeira seca, sobre a qual colocaram o estrado com o corpo, cobrindo-o em seguida com mais lenha seca de maneira que ficou totalmente coberto. Um combustível foi derramado e um palito de fósforo foi riscado e lançado sobre a madeira. O fogo foi aceso. Nesse momento se fez um grande silêncio. Uma imensa chama subiu e o fogo passou a arder devorando aquela madeira e consumindo aquele corpo. O cheiro quase imperceptível de carne sendo cremada era levado pelo vento em direção ao rio, enquanto familiares, amigos e centenas de sannyasins recomeçavam a cantar e dançar ao som daquele ritmo frenético tocado pelos músicos, festejando a passagem do ente querido para um novo estágio da vida, talvez mais próximo de Deus.
O cansaço foi tomando conta de todos e lentamente começaram a se retirar seguindo cada qual a sua direção, até que por fim a música cessou por completo e todos se foram. Eram por volta das 17h30min daquela estranha tarde quando também me retirei do local indo em direção ao meu quarto. O fogo ainda consumia toda aquela lenha e o corpo da sannyasin. Fagulhas subiam em direção ao céu e pássaros sobrevoavam o rio. A praça agora estava deserta e nada mais restava a não ser uma fogueira consumida para bem mais da metade.
No caminho para meu quarto fui pensando na beleza daquele ritual de despedida feito por aquele povo; fui pensando na brevidade da vida aqui na terra e na imortalidade da alma. O mundo ocidental valoriza enormemente o que é perecível e superficial e esquece-se do que é permanente e essencial.
No dia seguinte pela manhã voltei ao local e cinzas ainda quentes denunciavam a cremação do corpo do dia anterior.”
sexta-feira, 11 de junho de 2010
quinta-feira, 3 de junho de 2010
Nós, vendedores
Existem no mundo, vendedores de produtos de toda ordem. Por exemplo, existem os vendedores de cosméticos ou os vendedores de armas, o vendedor de roupas ou o de sapatos; existem os vendedores de sonhos ou ilusões lançadas a esmo no ar. Existem os vendedores de drogas de toda ordem, cigarros, café, ou açúcar; cocaína, maconha ou álcool. Existem até os vendedores de luares nos encantadores saraus.
Existem os vendedores de angústia que pregam as vaidades impossíveis ou os amores eternos. Existem os que vendem os tons e os dons de nossa época tão rápida que logo dão passagem para outros que passam muito rápido também. Existem os vendedores de alma que a entregam por qualquer ninharia oferecida na vã esperança de conseguir felicidade. Existem os vendedores de tudo porque tudo é passível de compra, de venda ou de troca.
O fato é que corre no sangue da humanidade a compra e a venda, a troca, porque é do gênero humano o relacionar-se.
Eu, no entanto, me coloco como um vendedor de felicidade. A felicidade de estar aqui, de ser daqui, e de poder, vez ou outra, desprender-me de mim mesmo e voar por ares nunca dantes navegados; felicidade de me saber eterno a me buscar, experimentar ser humano.
Coloco-me como vendedor de felicidade por poder fechar os olhos e tocar na luz que fica lá nas camadas mais profundas de mim mesmo e rejuvenescer; por poder ir e voltar a qualquer lugar porque lá ficou uma paixão, ficou uma dúvida e, sobretudo, porque nasceram perguntas. Sou vendedor de felicidade porque a reconheço vivendo de mãos dadas com meu coração. Reconheço-a aqui e agora e sei das várias faces que possuem e sei também que todas são felicidade. Vendo a possibilidade de simplesmente sentar, fechar os olhos e nada fazer a não ser sentir o puro deleite que é o de me saber gente que sou.
Existem os vendedores de angústia que pregam as vaidades impossíveis ou os amores eternos. Existem os que vendem os tons e os dons de nossa época tão rápida que logo dão passagem para outros que passam muito rápido também. Existem os vendedores de alma que a entregam por qualquer ninharia oferecida na vã esperança de conseguir felicidade. Existem os vendedores de tudo porque tudo é passível de compra, de venda ou de troca.
O fato é que corre no sangue da humanidade a compra e a venda, a troca, porque é do gênero humano o relacionar-se.
Eu, no entanto, me coloco como um vendedor de felicidade. A felicidade de estar aqui, de ser daqui, e de poder, vez ou outra, desprender-me de mim mesmo e voar por ares nunca dantes navegados; felicidade de me saber eterno a me buscar, experimentar ser humano.
Coloco-me como vendedor de felicidade por poder fechar os olhos e tocar na luz que fica lá nas camadas mais profundas de mim mesmo e rejuvenescer; por poder ir e voltar a qualquer lugar porque lá ficou uma paixão, ficou uma dúvida e, sobretudo, porque nasceram perguntas. Sou vendedor de felicidade porque a reconheço vivendo de mãos dadas com meu coração. Reconheço-a aqui e agora e sei das várias faces que possuem e sei também que todas são felicidade. Vendo a possibilidade de simplesmente sentar, fechar os olhos e nada fazer a não ser sentir o puro deleite que é o de me saber gente que sou.
domingo, 30 de maio de 2010
INTERIORIDADE
Normalmente temos medo de estar sozinhos, em silêncio, contemplando nossa interioridade. O que há lá dentro? Qual a extensão dessa interioridade, desse vazio?
Temos medo de descobrir o fabuloso mundo onde o prazer reside em se contemplar o vazio, em se deleitar com a própria essência do ser.
Vivemos como se existíssemos apenas para o mundo do trabalho, para o mundo social, esforçando-nos para aparecer melhor diante do outro. Estamos 24 horas nos relacionando com o outro - inclusive nos sonhos - direcionando nossa energia para a mente a fim de resolvermos os milhares de problemas que nos mesmos criamos.
“Nunca tenha um gato”, disse o mestre ao seu discípulo em seu leito de morte.
Uma pessoa que não possui centramento faz daquilo que possui, mesmo que seja um simples gato, não um prazer, mas um problema para poder manter a mente continuamente ocupada.
Preocupação é uma característica do ser humano moderno. Fazer; estar ocupado; não ter tempo; são palavras-chave para quem quer entender o ser humano moderno. E todos os que se recusam a acompanhar o ritmo frenético deste mundo são chamados de preguiçosos. Não ter tempo para si, não parar um pouquinho para dirigir-se para dentro é um estado muito apreciado hoje e significa estar muito bem; bem de acordo com o padrão ditado pelo conceito de bem-estar moderno. Assim mostra-se que se é uma pessoa muito requisitada.
O que existe por traz do ser humano social? O que acontece quando o sentar silencioso transforma-se em meditação? Um mundo novo se abre, o futuro deixa de preocupar e o passado deixa de existir e as questões do hoje, do agora, são o nosso único foco de atenção.
Temos medo do futuro. Temos medo do que virá. Exatamente igual ao ser humano primitivo que tinha medo das forças da natureza. Não temos confiança naquilo que desenvolvemos hoje, ainda não compreendemos que o futuro é fruto de nossa ação agora. O medo do futuro nos atormenta e isso afeta nossas relações sociais, afinal, o outro é meu concorrente e eu preciso estar sempre um passo a sua frente.
Dentro de uma roupa elegante, debaixo de um chapéu bonito, atrás de um óculos escuro e moderno pode existir um ser humano completamente desconhecido de si mesmo, um ser humano que nunca se tocou com profundidade, um ser humano que nunca ouviu seu próprio coração e nunca se permitiu admirar a própria desconhecida presença. O ser humano “irreal” precisa tocar a própria realidade e chorar de alegria por isso. .
Temos medo de descobrir o fabuloso mundo onde o prazer reside em se contemplar o vazio, em se deleitar com a própria essência do ser.
Vivemos como se existíssemos apenas para o mundo do trabalho, para o mundo social, esforçando-nos para aparecer melhor diante do outro. Estamos 24 horas nos relacionando com o outro - inclusive nos sonhos - direcionando nossa energia para a mente a fim de resolvermos os milhares de problemas que nos mesmos criamos.
“Nunca tenha um gato”, disse o mestre ao seu discípulo em seu leito de morte.
Uma pessoa que não possui centramento faz daquilo que possui, mesmo que seja um simples gato, não um prazer, mas um problema para poder manter a mente continuamente ocupada.
Preocupação é uma característica do ser humano moderno. Fazer; estar ocupado; não ter tempo; são palavras-chave para quem quer entender o ser humano moderno. E todos os que se recusam a acompanhar o ritmo frenético deste mundo são chamados de preguiçosos. Não ter tempo para si, não parar um pouquinho para dirigir-se para dentro é um estado muito apreciado hoje e significa estar muito bem; bem de acordo com o padrão ditado pelo conceito de bem-estar moderno. Assim mostra-se que se é uma pessoa muito requisitada.
O que existe por traz do ser humano social? O que acontece quando o sentar silencioso transforma-se em meditação? Um mundo novo se abre, o futuro deixa de preocupar e o passado deixa de existir e as questões do hoje, do agora, são o nosso único foco de atenção.
Temos medo do futuro. Temos medo do que virá. Exatamente igual ao ser humano primitivo que tinha medo das forças da natureza. Não temos confiança naquilo que desenvolvemos hoje, ainda não compreendemos que o futuro é fruto de nossa ação agora. O medo do futuro nos atormenta e isso afeta nossas relações sociais, afinal, o outro é meu concorrente e eu preciso estar sempre um passo a sua frente.
Dentro de uma roupa elegante, debaixo de um chapéu bonito, atrás de um óculos escuro e moderno pode existir um ser humano completamente desconhecido de si mesmo, um ser humano que nunca se tocou com profundidade, um ser humano que nunca ouviu seu próprio coração e nunca se permitiu admirar a própria desconhecida presença. O ser humano “irreal” precisa tocar a própria realidade e chorar de alegria por isso. .
sábado, 15 de maio de 2010
Mente e meditação
Largar hábitos enraizados, costumes encarnados já a décadas ou mesmo há gerações, por pior que sejam, exige um esforço grande, uma vontade férrea.
É fácil criticar, diz o ditado popular, difícil é se autocriticar, ver a si mesmo avaliar-se na prática diária com o intuito de mudar para melhor.
O simples ato de chegar a um compromisso no horário marcado é difícil para muitas pessoas. Efetivar compromissos até consigo mesmo, como deixar de comer uma barra de chocolate ou batatas fritas é tarefa árdua para alguns. O que dizer então, por exemplo, de querer levar vantagem em tudo que faz; em mentir constantemente; em comer mais que o necessário; em ter mais que o suficiente; em roubar o dinheiro público que está ali em sua frente; etc?
É difícil ser honesto consigo mesmo quando existe todo um contexto global formando mentes dentro de padrões tão mesquinhos e desonestos.
Somos ensinados a pensar que este fenômeno social chamado mente é nossa essência, que nos somos aquilo que pensamos, e isso não é verdade. Nós somos muito mais do que nossas mentes.
No trabalho meditativo, aprendemos que a mente é formada dentro de um contexto social específico e que nossa essência está muito mais além e não necessita de mentiras, de desonestidades, de falsidades.
Aprendemos que temos um cérebro e este cérebro desenvolve uma mente que é um conjunto valores, de pensamentos, de padrões comportamentais segundo o contexto em que nasce o sujeito; ou seja, enquanto o cérebro é um órgão que tem origem no desenvolvimento biológico humano, a mente é produto cultural.
Todos nós somos portadores de um cérebro com as mesmas possibilidades, mas cada cérebro desenvolve uma mente que funciona segundo padrões ditados pelos costumes, pelas normas etc, e com a qual nos identificamos de tal forma que pensamos ser estes padrões e agimos de acordo a esses padrões. Ou seja, a liberdade que tanto acreditamos possuir e é símbolo da chamada democracia ocidental, não passa de um grande engodo já que nossa ação é resultante de uma mente que existe premida entre os costumes e a moral vigente.
No trabalho meditativo, aprendemos que estar em meditação é estar além do ontem e do amanhã, é estar no momento presente, pronto para uma ação efetivamente consciente, sem manipulações de uma mente carregada de memórias que em nada nos ajudam a viver o hoje.
Firdauz
É fácil criticar, diz o ditado popular, difícil é se autocriticar, ver a si mesmo avaliar-se na prática diária com o intuito de mudar para melhor.
O simples ato de chegar a um compromisso no horário marcado é difícil para muitas pessoas. Efetivar compromissos até consigo mesmo, como deixar de comer uma barra de chocolate ou batatas fritas é tarefa árdua para alguns. O que dizer então, por exemplo, de querer levar vantagem em tudo que faz; em mentir constantemente; em comer mais que o necessário; em ter mais que o suficiente; em roubar o dinheiro público que está ali em sua frente; etc?
É difícil ser honesto consigo mesmo quando existe todo um contexto global formando mentes dentro de padrões tão mesquinhos e desonestos.
Somos ensinados a pensar que este fenômeno social chamado mente é nossa essência, que nos somos aquilo que pensamos, e isso não é verdade. Nós somos muito mais do que nossas mentes.
No trabalho meditativo, aprendemos que a mente é formada dentro de um contexto social específico e que nossa essência está muito mais além e não necessita de mentiras, de desonestidades, de falsidades.
Aprendemos que temos um cérebro e este cérebro desenvolve uma mente que é um conjunto valores, de pensamentos, de padrões comportamentais segundo o contexto em que nasce o sujeito; ou seja, enquanto o cérebro é um órgão que tem origem no desenvolvimento biológico humano, a mente é produto cultural.
Todos nós somos portadores de um cérebro com as mesmas possibilidades, mas cada cérebro desenvolve uma mente que funciona segundo padrões ditados pelos costumes, pelas normas etc, e com a qual nos identificamos de tal forma que pensamos ser estes padrões e agimos de acordo a esses padrões. Ou seja, a liberdade que tanto acreditamos possuir e é símbolo da chamada democracia ocidental, não passa de um grande engodo já que nossa ação é resultante de uma mente que existe premida entre os costumes e a moral vigente.
No trabalho meditativo, aprendemos que estar em meditação é estar além do ontem e do amanhã, é estar no momento presente, pronto para uma ação efetivamente consciente, sem manipulações de uma mente carregada de memórias que em nada nos ajudam a viver o hoje.
Firdauz
quinta-feira, 13 de maio de 2010
TEXTO EXTRAÍDO DO LIVRO DE FIRDAUZ:ELIAS EM A FÁBULA DO CASTELO
-"0 homem vive no mundo da dúvida, no mun¬do do meio. Ele não é nem animal nem santo, não está nem aqui na terra, nem lá no céu. Vive perdido entre os mundos do espírito e da matéria e por isto não consegue ter paz e ser feliz. E somente aqueles que ultrapassaram esta dúvida é que alcançam a paz. Mas comumente, quando alguns encontram a resposta, os outros homens não suportando a descoberta o matam e o exilam de seu meio ou os chamam de santos ou loucos e criam uma lenda sobre eles". Elias o interrompeu mais uma vez e per¬guntou:
-Mas por que eles fazem isto se você mesmo disse que a busca da verdade é parte principal de sua própria história de vida?"
E o vento respondeu:
- É porque eles usam o horrível véu negro da ignorância por sobre a cabeça, que lhes encobre a visão e os impede o advento da sabedoria. Aque¬les que ousam retirar este véu tornam-se uma ame¬aça porque mostram que é possível retirar o véu e viver com sabedoria. Infelizmente, o ser humano ha¬bituou-se a viver na miséria da ignorância".
Naquele dia Elias deixou-se ficar muito pensati¬vo depois do vento partir. Ainda o vi por muitas ho¬ras sob o velho carvalho a refletir sobre as palavras do vento. Depois adormeceu e sonhou ser um ca¬ranguejo. Um caranguejo que numa noite de luar saiu de sua casa na lama para reverenciar a dama da noite, quando duas mãos fortes o agarraram. Ele lutou, abriu suas garras, as quais considerava muito fortes, para ferir o inimigo, mas este o imobilizou e o jogou em um paneiro feito de vime, cheio de outros caranguejos. Sentiu-se preso e acordou lutando para se desvencilhar daquela prisão. Foi a primeira sensação de medo que teve.
-Mas por que eles fazem isto se você mesmo disse que a busca da verdade é parte principal de sua própria história de vida?"
E o vento respondeu:
- É porque eles usam o horrível véu negro da ignorância por sobre a cabeça, que lhes encobre a visão e os impede o advento da sabedoria. Aque¬les que ousam retirar este véu tornam-se uma ame¬aça porque mostram que é possível retirar o véu e viver com sabedoria. Infelizmente, o ser humano ha¬bituou-se a viver na miséria da ignorância".
Naquele dia Elias deixou-se ficar muito pensati¬vo depois do vento partir. Ainda o vi por muitas ho¬ras sob o velho carvalho a refletir sobre as palavras do vento. Depois adormeceu e sonhou ser um ca¬ranguejo. Um caranguejo que numa noite de luar saiu de sua casa na lama para reverenciar a dama da noite, quando duas mãos fortes o agarraram. Ele lutou, abriu suas garras, as quais considerava muito fortes, para ferir o inimigo, mas este o imobilizou e o jogou em um paneiro feito de vime, cheio de outros caranguejos. Sentiu-se preso e acordou lutando para se desvencilhar daquela prisão. Foi a primeira sensação de medo que teve.
sábado, 8 de maio de 2010
Por que poesia em tempos de indigência?
Nos dicionários encontramos a palavra indigência significando pobreza, carência, falta do mínimo necessário à sobrevivência, sempre numa referência a não satisfação das necessidades básicas do corpo. No entanto, a pergunta acima, me leva a uma reflexão que vai além destas afirmativas dicionárias. A indigência de que o homem padece hoje e talvez sempre tenha padecido é também de cunho emocional/espiritual, é indigência de si mesmo, de carinho e de compaixão para consigo mesmo. É a indigência dos tempos míticos desde nossa expulsão do paraíso.
Em minha visão, no entanto, nós nunca estivemos tão próximos como agora, de uma mudança mais radical do que a que se avizinha, como uma possível volta ao reino paradisíaco perdido.
Sabemos que, tecnicamente, a fome não é mais compatível com o mundo contemporâneo e que a produção de alimentos mundial é mais que suficiente para matar a fome de todos os habitantes de nosso planeta. Então, por que ainda existir este flagelo que mata milhões de pessoas? Por que nós, agora imbuídos de conhecimentos científicos, não resolvemos muitos dos problemas com soluções óbvias, que afligem a humanidade como um todo, inclusive pondo em perigo a própria sobrevivência do planeta?
A resposta é clara. Ela está na necessidade urgente de uma mudança comportamental do ser humano. Uma mudança nos nossos valores, nos nossos hábitos, na nossa capacidade de “enxergar” o mundo como uma entidade viva da qual fazemos parte apenas como uma teia de infinitas relações de interdependência e que ao quebrarmos esta teia, afetamos todo este equilíbrio vivo. Ou seja, estamos agindo de forma tal que desequilibramos a rede da vida pondo em perigo toda a terra.
Uma mudança de valores portanto se faz necessário. Uma mudança espiritual se faz urgente.
E aí entra a importância da poesia nestes tempos de indigência pelos quais passamos, porque é palavra transformada em emoção, em experiência existencial/estética. Uma frase bem escrita, uma reflexão transparente e aberta nos ajuda a compreender o mundo e a nós mesmos a partir de nossa própria vivência. Olhar o mundo com emoção, emocionar-se com um pôr-do-sol ou um nascer-do-sol, com um olhar de uma criança, com o desabrochar de uma rosa é poesia. Perceber a vida como uma cadeia de aconteceres e imaginar-se nesta cadeia, como parte integrante da dança do universo é poesia também. Olhar para o interior de nós mesmos e percebermos a mágica composição de nossa constituição é a poesia da vida. Poder olhar a vida e estaziar-se com sua elegância e beleza é impossibilitar-nos agir contrariamente as leis naturais e mudarmos nossos comportamentos agressivos, anti-sociais e antiéticos. Olhar a vida, portanto, como o poeta olha a palavra, é condição fundamental para que transformemos este planeta num lugar mais habitável, mais humano e mais bonito de se viver. A poesia na verdade, é a nossa essência, é o que unifica todos os povos, nosso bem comum.
Em minha visão, no entanto, nós nunca estivemos tão próximos como agora, de uma mudança mais radical do que a que se avizinha, como uma possível volta ao reino paradisíaco perdido.
Sabemos que, tecnicamente, a fome não é mais compatível com o mundo contemporâneo e que a produção de alimentos mundial é mais que suficiente para matar a fome de todos os habitantes de nosso planeta. Então, por que ainda existir este flagelo que mata milhões de pessoas? Por que nós, agora imbuídos de conhecimentos científicos, não resolvemos muitos dos problemas com soluções óbvias, que afligem a humanidade como um todo, inclusive pondo em perigo a própria sobrevivência do planeta?
A resposta é clara. Ela está na necessidade urgente de uma mudança comportamental do ser humano. Uma mudança nos nossos valores, nos nossos hábitos, na nossa capacidade de “enxergar” o mundo como uma entidade viva da qual fazemos parte apenas como uma teia de infinitas relações de interdependência e que ao quebrarmos esta teia, afetamos todo este equilíbrio vivo. Ou seja, estamos agindo de forma tal que desequilibramos a rede da vida pondo em perigo toda a terra.
Uma mudança de valores portanto se faz necessário. Uma mudança espiritual se faz urgente.
E aí entra a importância da poesia nestes tempos de indigência pelos quais passamos, porque é palavra transformada em emoção, em experiência existencial/estética. Uma frase bem escrita, uma reflexão transparente e aberta nos ajuda a compreender o mundo e a nós mesmos a partir de nossa própria vivência. Olhar o mundo com emoção, emocionar-se com um pôr-do-sol ou um nascer-do-sol, com um olhar de uma criança, com o desabrochar de uma rosa é poesia. Perceber a vida como uma cadeia de aconteceres e imaginar-se nesta cadeia, como parte integrante da dança do universo é poesia também. Olhar para o interior de nós mesmos e percebermos a mágica composição de nossa constituição é a poesia da vida. Poder olhar a vida e estaziar-se com sua elegância e beleza é impossibilitar-nos agir contrariamente as leis naturais e mudarmos nossos comportamentos agressivos, anti-sociais e antiéticos. Olhar a vida, portanto, como o poeta olha a palavra, é condição fundamental para que transformemos este planeta num lugar mais habitável, mais humano e mais bonito de se viver. A poesia na verdade, é a nossa essência, é o que unifica todos os povos, nosso bem comum.
segunda-feira, 3 de maio de 2010
Medicina se rende a prática da meditação
Ministério da Saúde baixou portaria incentivando postos de saúde e hospitais a oferecer a técnica em todo o País
“A agência do governo dos EUA responsável pelas pesquisas médicas (NIH, na sigla em inglês) reconheceu formalmente a meditação como prática terapêutica que pode ser associada à medicina convencional. O Ministério da Saúde brasileiro baixou uma portaria em que incentiva postos de saúde e hospitais públicos a oferecer a meditação em todo o País.
Essas ações governamentais são sinais da tendência de encarar a meditação não simplesmente como prática de bem-estar, que faz bem apenas à mente e ao espírito. Parar diariamente alguns minutos para se concentrar e se desligar do turbilhão de pensamentos que ocupam constantemente a cabeça também ajuda a manter a saúde física.
“A meditação é diferente da medicina convencional porque quem cuida de você não é o médico. É você mesmo", explica a médica anestesista Kátia Silva, que coordena as atividades de meditação no Hospital Municipal Vila Nova Cachoeirinha, em São Paulo. Na cidade, 70% dos postos de saúde oferecem atividades da chamada medicina tradicional, que inclui acupuntura, tai chi chuan e meditação.
Relativamente recentes, as pesquisas começaram nos anos 70. Uma pesquisa com a palavra meditação no acervo online da Biblioteca Nacional de Medicina, do governo americano, traz 1.400 estudos científicos.
Entre outros benefícios, meditar previne e combate a depressão, a hipertensão arterial, a dor crônica, a insônia, a ansiedade e os sintomas da síndrome pré-menstrual, além de ajudar a reduzir a dependência de drogas.
Esses estudos mostram que a meditação reduz o metabolismo - os batimentos cardíacos e a respiração ficam mais lentos e o consumo de oxigênio pelas células cai. É isso que dá a sensação de relaxamento e tranqüilidade.
As mesmas pesquisas sugerem que prática também interfere no funcionamento do sistema nervoso autônomo, que é responsável, por exemplo, pela liberação dos hormônios noradrenalina e cortisol durante os momentos de stress. Em quem medita, a duração dessas "reações de alarme" são mais curtas. Dessa forma, a pressão do sangue e a força de contração do coração ficam alteradas por pouco tempo, comprometendo menos a saúde..”
É cada vez mais comum ler textos com teor semelhante. Embora a matéria acima peque no que diz respeito ao conhecimento acerca do que é meditação ( grifei a palavra concentração para lembrar que concentrar não é meditar, como erra ao dizer, o autor do texto), nos mostra o quanto hoje a prática da meditação se dissemina no mundo.
Quando se estabelece essa prática cotidianamente, nossa vida se altera, a percepção atinge índices mais elevados e a qualidade de nossas vidas melhora. E não há nenhuma mágica nisso. O que ocorre é que ao nos tornarmos mais conscientes, ao nos percebermos mais, ao atentarmos mais para nós mesmos, e essa é uma meta da meditação, naturalmente passamos a maravilhar-nos com os vários aconteceres de nossa vida, mesmo com os mais simples fatos como acordar ou escovar os dentes. Passamos a ser observadores conscientes das tarefas que executamos cotidianamente e vamos vendo o quanto elas são positivas ou negativas para nós.
A prática da meditação nos conduz a presença constante de nós mesmos. Nos conduz ao testemunhar de nós mesmos e é isso que nos traz consciência.
A matéria acima é apenas um reforço quanto a intensa campanha que mobilizamos para que mais e mais pessoas se interessem pela meditação e passem a usufruir deste maravilhoso ato de ir tornando-se mais cônscio de si mesmo.
“A agência do governo dos EUA responsável pelas pesquisas médicas (NIH, na sigla em inglês) reconheceu formalmente a meditação como prática terapêutica que pode ser associada à medicina convencional. O Ministério da Saúde brasileiro baixou uma portaria em que incentiva postos de saúde e hospitais públicos a oferecer a meditação em todo o País.
Essas ações governamentais são sinais da tendência de encarar a meditação não simplesmente como prática de bem-estar, que faz bem apenas à mente e ao espírito. Parar diariamente alguns minutos para se concentrar e se desligar do turbilhão de pensamentos que ocupam constantemente a cabeça também ajuda a manter a saúde física.
“A meditação é diferente da medicina convencional porque quem cuida de você não é o médico. É você mesmo", explica a médica anestesista Kátia Silva, que coordena as atividades de meditação no Hospital Municipal Vila Nova Cachoeirinha, em São Paulo. Na cidade, 70% dos postos de saúde oferecem atividades da chamada medicina tradicional, que inclui acupuntura, tai chi chuan e meditação.
Relativamente recentes, as pesquisas começaram nos anos 70. Uma pesquisa com a palavra meditação no acervo online da Biblioteca Nacional de Medicina, do governo americano, traz 1.400 estudos científicos.
Entre outros benefícios, meditar previne e combate a depressão, a hipertensão arterial, a dor crônica, a insônia, a ansiedade e os sintomas da síndrome pré-menstrual, além de ajudar a reduzir a dependência de drogas.
Esses estudos mostram que a meditação reduz o metabolismo - os batimentos cardíacos e a respiração ficam mais lentos e o consumo de oxigênio pelas células cai. É isso que dá a sensação de relaxamento e tranqüilidade.
As mesmas pesquisas sugerem que prática também interfere no funcionamento do sistema nervoso autônomo, que é responsável, por exemplo, pela liberação dos hormônios noradrenalina e cortisol durante os momentos de stress. Em quem medita, a duração dessas "reações de alarme" são mais curtas. Dessa forma, a pressão do sangue e a força de contração do coração ficam alteradas por pouco tempo, comprometendo menos a saúde..”
É cada vez mais comum ler textos com teor semelhante. Embora a matéria acima peque no que diz respeito ao conhecimento acerca do que é meditação ( grifei a palavra concentração para lembrar que concentrar não é meditar, como erra ao dizer, o autor do texto), nos mostra o quanto hoje a prática da meditação se dissemina no mundo.
Quando se estabelece essa prática cotidianamente, nossa vida se altera, a percepção atinge índices mais elevados e a qualidade de nossas vidas melhora. E não há nenhuma mágica nisso. O que ocorre é que ao nos tornarmos mais conscientes, ao nos percebermos mais, ao atentarmos mais para nós mesmos, e essa é uma meta da meditação, naturalmente passamos a maravilhar-nos com os vários aconteceres de nossa vida, mesmo com os mais simples fatos como acordar ou escovar os dentes. Passamos a ser observadores conscientes das tarefas que executamos cotidianamente e vamos vendo o quanto elas são positivas ou negativas para nós.
A prática da meditação nos conduz a presença constante de nós mesmos. Nos conduz ao testemunhar de nós mesmos e é isso que nos traz consciência.
A matéria acima é apenas um reforço quanto a intensa campanha que mobilizamos para que mais e mais pessoas se interessem pela meditação e passem a usufruir deste maravilhoso ato de ir tornando-se mais cônscio de si mesmo.
quinta-feira, 22 de abril de 2010
Não tenho tempo
Não há tempo
Não existe tempo
Estou sempre indo...
E vindo...
Correndo atrás...
Do meu medo
Do que fazer
Do que ter
Pra não pensar
Pra não olhar o coração...vazio.
Corro as pressas
Atrás do carro
Da casa
Do que comer
Dos filhos
E nunca sei onde eles estão
Não tenho tempo
Nem descanso
Não vejo o céu
De que cor é ele mesmo?
E o sol?
As paisagens das nuvens?
O luar?
Como ele é?
Quais são os brinquedos das crianças?
De que eles gostam?
Não tenho tempo de olhar
Meu olhar partiu um dia
Não sei pra onde se foi
Evaporou-se no cotidiano
Corriqueiro de meu todo dia
Nem vejo o dia passar
Apenas sei que é noite
Porque tenho que a porta trancar
Acender as luzes
E me deitar
Não vi nada
Não senti nada
O dia passou
A vida passou
E eu...
Não vi a vida passar
E ela passou...
Não tive tempo
Não tive tempo de sair
Andar, viajar
A correria do dia não deixou
Não deu pra sorrir
A não ser das poucas coisas
Dos amigos do trabalho
Mas não deu tempo de ver seus olhos
O brilho de luz que tinham na alma
Não peguei na terra
Não sujei as mãos
Nem plantei uma árvore
Não experimentei algodão doce
Nem comida vegetariana
Não fiz meditação
Nem dancei as lindas canções que queria dançar
Não cantei
E muito pouco amei
Não tive tempo
A vida sempre por um triz
Não havia tempo
Não houve tempo
Não haverá tempo
E no entanto...
Tanto tempo há
Eu é que não vi
A vida passar.
Não existe tempo
Estou sempre indo...
E vindo...
Correndo atrás...
Do meu medo
Do que fazer
Do que ter
Pra não pensar
Pra não olhar o coração...vazio.
Corro as pressas
Atrás do carro
Da casa
Do que comer
Dos filhos
E nunca sei onde eles estão
Não tenho tempo
Nem descanso
Não vejo o céu
De que cor é ele mesmo?
E o sol?
As paisagens das nuvens?
O luar?
Como ele é?
Quais são os brinquedos das crianças?
De que eles gostam?
Não tenho tempo de olhar
Meu olhar partiu um dia
Não sei pra onde se foi
Evaporou-se no cotidiano
Corriqueiro de meu todo dia
Nem vejo o dia passar
Apenas sei que é noite
Porque tenho que a porta trancar
Acender as luzes
E me deitar
Não vi nada
Não senti nada
O dia passou
A vida passou
E eu...
Não vi a vida passar
E ela passou...
Não tive tempo
Não tive tempo de sair
Andar, viajar
A correria do dia não deixou
Não deu pra sorrir
A não ser das poucas coisas
Dos amigos do trabalho
Mas não deu tempo de ver seus olhos
O brilho de luz que tinham na alma
Não peguei na terra
Não sujei as mãos
Nem plantei uma árvore
Não experimentei algodão doce
Nem comida vegetariana
Não fiz meditação
Nem dancei as lindas canções que queria dançar
Não cantei
E muito pouco amei
Não tive tempo
A vida sempre por um triz
Não havia tempo
Não houve tempo
Não haverá tempo
E no entanto...
Tanto tempo há
Eu é que não vi
A vida passar.
segunda-feira, 12 de abril de 2010
PRATICANDO A MEDITAÇÃO
Muitas pessoas gostariam de praticar meditação mas não sabem por onde começar. Ouviram falar por exemplo que a prática desta atividade faz muito bem ao espírito e a vida pessoal, que traz tranqüilidade, autoconhecimento e saúde psíquica. Ficam se imaginando meditando, tornando-se mais espirituais, mais tranqüilos, melhores.
Mas ai vem uma pergunta: como meditar? o que fazer para colocar o pé na estrada e praticar? Será que é apenas ficar sentado em posição igual a que o mestre iluminado Buda ficava, - conhecida como posição de lótus - fechar os olhos e pronto? Só isto?
Pensando assim, ficamos a nos imaginar sentados de olhos fechados sem fazer nada, como se estivéssemos perdendo tempo –e tempo é dinheiro – e logo desistimos cansados desta imagem que não nos agrada.
Na verdade a meditação é a arte/ciência de buscar o silêncio interior. E para encontrar este silêncio pode-se e deve-se utilizar várias técnicas que foram criadas ao longo dos milênios, principalmente pelo povo oriental. Estas técnicas variaram muito ao longo dos tempos. Os yogues, os sufis, os zen budistas e vários mestres orientais como Buda, paramahansa Yogananda, Osho, etc, criaram muitas técnicas, para auxiliar as pessoas a se encontrarem através desta prática.
Portanto, a primeira coisa que se tem que saber é que ficar sentado em posição de lotus - a posição do Buda – é apenas uma das muitas centenas de técnicas de fazer meditação e segundo alguns, das mais difíceis.
Encontrar o silêncio interior requer prática e compromisso. Requer coragem para se auto-conhecer. Coragem porque pode ser encontrado muitas coisas bem no fundo de si mesmo que não gostaria ou que nem imaginava que estivesse ali, bem no inconsciente.
A prática inicial do meditador é o testemunhar. Qualquer tipo de técnica que você utilizar, utilize-a para ser um observador de si mesmo. Se a técnica que for usada for a de sentar-se na posição de lótus, sente-se e tente observar o pensamento, o que ocorre com ele, para onde ele vai, quais os pensamentos que vem a sua mente, etc. O importante é você conseguir ser uma testemunha de si mesmo, não se identificar com o próprio pensamento, deixá-lo vir e deixá-lo passar, ser testemunho consciente deste tráfego ininterrupto que é o nosso pensamento.
Pratique isto de início e você começará a sentir que aquela imagem que fazia do ato de meditar começará a mudar, começará a perceber sentido neste ato, e mais ainda, começará a perceber que você pode ser o senhor de seus pensamentos, senhor de seus atos e não mero joguete que vaga ao sabor de suas emoções, de seus pensamentos, de seus humores e passará a ter mais controle sobre si mesmo.
Comece por este caminho e você verá porque a meditação é hoje tão necessária para se ter uma vida mais equilibrada e feliz.
Mas ai vem uma pergunta: como meditar? o que fazer para colocar o pé na estrada e praticar? Será que é apenas ficar sentado em posição igual a que o mestre iluminado Buda ficava, - conhecida como posição de lótus - fechar os olhos e pronto? Só isto?
Pensando assim, ficamos a nos imaginar sentados de olhos fechados sem fazer nada, como se estivéssemos perdendo tempo –e tempo é dinheiro – e logo desistimos cansados desta imagem que não nos agrada.
Na verdade a meditação é a arte/ciência de buscar o silêncio interior. E para encontrar este silêncio pode-se e deve-se utilizar várias técnicas que foram criadas ao longo dos milênios, principalmente pelo povo oriental. Estas técnicas variaram muito ao longo dos tempos. Os yogues, os sufis, os zen budistas e vários mestres orientais como Buda, paramahansa Yogananda, Osho, etc, criaram muitas técnicas, para auxiliar as pessoas a se encontrarem através desta prática.
Portanto, a primeira coisa que se tem que saber é que ficar sentado em posição de lotus - a posição do Buda – é apenas uma das muitas centenas de técnicas de fazer meditação e segundo alguns, das mais difíceis.
Encontrar o silêncio interior requer prática e compromisso. Requer coragem para se auto-conhecer. Coragem porque pode ser encontrado muitas coisas bem no fundo de si mesmo que não gostaria ou que nem imaginava que estivesse ali, bem no inconsciente.
A prática inicial do meditador é o testemunhar. Qualquer tipo de técnica que você utilizar, utilize-a para ser um observador de si mesmo. Se a técnica que for usada for a de sentar-se na posição de lótus, sente-se e tente observar o pensamento, o que ocorre com ele, para onde ele vai, quais os pensamentos que vem a sua mente, etc. O importante é você conseguir ser uma testemunha de si mesmo, não se identificar com o próprio pensamento, deixá-lo vir e deixá-lo passar, ser testemunho consciente deste tráfego ininterrupto que é o nosso pensamento.
Pratique isto de início e você começará a sentir que aquela imagem que fazia do ato de meditar começará a mudar, começará a perceber sentido neste ato, e mais ainda, começará a perceber que você pode ser o senhor de seus pensamentos, senhor de seus atos e não mero joguete que vaga ao sabor de suas emoções, de seus pensamentos, de seus humores e passará a ter mais controle sobre si mesmo.
Comece por este caminho e você verá porque a meditação é hoje tão necessária para se ter uma vida mais equilibrada e feliz.
domingo, 4 de abril de 2010
A ERA DO PRAGMATISMO
Esta é a Era do pragmatismo. A Era da ação prática, qualquer que seja ela para se atingir os fins desejados. O que importa é viver o agora sem medir as conseqüências, sem sonhar ou ter projetos que visem o bem comum.
O importante é o ter agora, consumir o máximo possível, aproveitar, gozar a vida segundo certos padrões duvidosos espalhados a três por quatro pelos meios de comunicação. O importante é comer muito, é vestir o mais diferente e caro possível, é transar com mil homens ou mil mulheres e em situações as mais exóticas possíveis, é ter mansões e sonhar com o carro mais caro possível.
Não importa o outro! O que tenho eu haver com o outro? Cada qual vivendo sua vida como deve ser. Não me importa se o outro sente dor na alma ou no corpo, não me importa o outro, o que importa sou eu, esta ilha cercada de gente distante de mim por todos os lados. Todos são desconhecidos e meus concorrentes. Concorrem e querem meu emprego e minha mulher, o meu dinheiro e minha casa, o meu carro e até minha alegria. Tenho que viver em uma redoma de vidro para me proteger dos outros, meus dessemelhantes.
Esta é uma Era sem sonhos e sem esperanças, o fim de um paradigma, a morte de Shiva. Nas escolas nas ruas, nos campos, em todas as partes é o pragmatismo que domina, é a ação animal, desprovida de objetivos que não sejam eu próprio. A idéia neoliberal, a concorrência absoluta tomou conta de nossas mentes. O ideal é concorrer, é ver quem pode mais, é ver quem vai mais longe, é ver quem consegue mais. E diz-se que a competição, a concorrência faz parte da natureza do ser humano, como se alguém pudesse definir o humano, como se alguém pudesse dizer este é o ser humano.
Não, na verdade o ser humano é um eterno vir-a-ser, é um eterno projeto se autoconstruindo, mudando, transformando a si mesmo em seu processo de construção da vida. Já mudamos muito, experimentamos muito no correr de nossa história e continuamos experimentando. Este momento é apenas uma passagem, um momento nosso, um erro do qual devemos tirar aprendizados para não repeti-los no futuro, assim com tanto já erramos no passado.
Um dia, quando acordarmos, vamos ver que estávamos no caminho errado, que não somos uma ilha, mas sim uma rede de relações que se interconectam como se interconectam os fios invisíveis da Internet, vamos ver que somos dependentes uns dos outros, que fazemos parte de um mesmo universo de colaborações mútuas. Vamos perceber que não podemos viver sozinhos, que os animais, os vegetais e os minerais são parte de nossa estrutura físico-molecular e que neles estão contidos os mistérios necessários a nossa saúde psíquica e física e vamos perceber que a vida é constante transformação e que a nós foi dado o dom de perceber essas transformações. Há que chegar o momento de percebermos que nós temos o privilégio de ser o elo de ligação entre as coisas do céu e da terra, que a nós foi dado raízes e asas, e que nos cabe cuidar amorosamente desse pequeno pedaço de terra que gira infinitamente no espaço sideral.
Um dia nós vamos acordar. Eu sei disso. Você sabe disso. Muitos já sabemos disso.
Por que não abrir os olhos?
O importante é o ter agora, consumir o máximo possível, aproveitar, gozar a vida segundo certos padrões duvidosos espalhados a três por quatro pelos meios de comunicação. O importante é comer muito, é vestir o mais diferente e caro possível, é transar com mil homens ou mil mulheres e em situações as mais exóticas possíveis, é ter mansões e sonhar com o carro mais caro possível.
Não importa o outro! O que tenho eu haver com o outro? Cada qual vivendo sua vida como deve ser. Não me importa se o outro sente dor na alma ou no corpo, não me importa o outro, o que importa sou eu, esta ilha cercada de gente distante de mim por todos os lados. Todos são desconhecidos e meus concorrentes. Concorrem e querem meu emprego e minha mulher, o meu dinheiro e minha casa, o meu carro e até minha alegria. Tenho que viver em uma redoma de vidro para me proteger dos outros, meus dessemelhantes.
Esta é uma Era sem sonhos e sem esperanças, o fim de um paradigma, a morte de Shiva. Nas escolas nas ruas, nos campos, em todas as partes é o pragmatismo que domina, é a ação animal, desprovida de objetivos que não sejam eu próprio. A idéia neoliberal, a concorrência absoluta tomou conta de nossas mentes. O ideal é concorrer, é ver quem pode mais, é ver quem vai mais longe, é ver quem consegue mais. E diz-se que a competição, a concorrência faz parte da natureza do ser humano, como se alguém pudesse definir o humano, como se alguém pudesse dizer este é o ser humano.
Não, na verdade o ser humano é um eterno vir-a-ser, é um eterno projeto se autoconstruindo, mudando, transformando a si mesmo em seu processo de construção da vida. Já mudamos muito, experimentamos muito no correr de nossa história e continuamos experimentando. Este momento é apenas uma passagem, um momento nosso, um erro do qual devemos tirar aprendizados para não repeti-los no futuro, assim com tanto já erramos no passado.
Um dia, quando acordarmos, vamos ver que estávamos no caminho errado, que não somos uma ilha, mas sim uma rede de relações que se interconectam como se interconectam os fios invisíveis da Internet, vamos ver que somos dependentes uns dos outros, que fazemos parte de um mesmo universo de colaborações mútuas. Vamos perceber que não podemos viver sozinhos, que os animais, os vegetais e os minerais são parte de nossa estrutura físico-molecular e que neles estão contidos os mistérios necessários a nossa saúde psíquica e física e vamos perceber que a vida é constante transformação e que a nós foi dado o dom de perceber essas transformações. Há que chegar o momento de percebermos que nós temos o privilégio de ser o elo de ligação entre as coisas do céu e da terra, que a nós foi dado raízes e asas, e que nos cabe cuidar amorosamente desse pequeno pedaço de terra que gira infinitamente no espaço sideral.
Um dia nós vamos acordar. Eu sei disso. Você sabe disso. Muitos já sabemos disso.
Por que não abrir os olhos?
quinta-feira, 1 de abril de 2010
A inteligência e as outras dimensões do humano
Somos tão inteligentes, tão dinâmicos, tão espertos... e no entanto, não conseguimos ver a destruição que ocorre em todos os pontos do planeta e bem ao nosso redor. E não conseguimos perceber que essa destruição afeta a nossa vida. E não conseguimos entender que a nossa vida é apenas um projeto de outros que organizam a nossa vida.
É bom sabermos que a inteligência é um dom muito louvável no ser humano, mas é bom sabermos também que é apenas uma dimensão da nossa existência, não a única e talvez nem a mais importante. Outras dimensões fazem parte de nosso ser: os sentimentos, a sensibilidade, a intuição, o inconcebível. Estas talvez sejam partes bem superiores no ser humano. Seguramente são bem mais antigas. E são estas outras dimensões, que nos tornaram humanos, segundo a biologia do amor de Maturana e Varela, que foram “esquecidas”, sublimadas, em função desta nova capacidade surgida a tão pouco tempo no ser humano, entre 100 e 600 mil anos atrás, e que tanta falta faz a nossa civilização.
São estas outras dimensões que são responsáveis pelo afeto, pelo respeito, pela ética, pelo carinho, pelo cuidado para com o outro, pelo amor, pelo nosso deslumbramento diante deste tão maravilhoso mundo. São estas dimensões que nos permitem amar, querer nossos filhos, sentir o desejo de brincar com nossos filhos, construir belos rituais para louvar o desconhecido.
São também responsáveis pela beleza da solidariedade frente às vicissitudes alheias e são elas que nos permitem viver uma vida prazerosa e bela. Segundo o biólogo Humberto Maturana, o processo de hominização ocorrido com o antropóide deu-se exatamente em função da capacidade deste de compartilhar e amar os seus e a seus filhotes como nenhuma outra espécie de antropóide existente o fez. Foi o processo de compartilhar, cuidar e amar que deu espaço para o desenvolvimento da inteligência no ser humano.
Então por que nossas escolas são voltadas apenas para a dimensão do mental, a dimensão invasiva, fria, calculista, exata?
Provamos no decorrer destes milhares de anos que esta dimensão humana sozinha não é capaz de nos trazer paz e alegria. Provamos que atribuir a responsabilidade de nossa vida e desenvolvimento apenas a dimensão da inteligência é catastrófico para a vida humana a nível individual, coletiva e para todas as espécies vivas do planeta.
Se olharmos para o que construímos com nossa capacidade mental, sem dúvida veremos maravilhas: desvendamos a estrutura do átomo; fomos ao espaço; descobrimos a lógica do funcionamento do corpo humano; desvendamos certas leis da natureza que nos permitiu multiplicar por milhares de vezes a produção agrícola, etc; construímos lindas habitações individuais e coletivas; desenvolvemos belíssimos instrumentos musicais e criamos a fantástica arte do cinema, etc; mas fomos incapazes de parar de gerar dor, morte e destruição provenientes de nossos próprios atos políticos. Tornamo-nos cada vez mais incapazes de frear a máquina de guerra destruidora que nosso gênio mental inventou e perdemos a capacidade de amar, respeitar o próximo, termos sentimentos profundos e nos tornamos cada vez mais fúteis e insensíveis ao sofrimento do outro. Nossa comunidade não é mais uma comunidade pois não conhecemos nosso vizinho. O amor tornou-se uma mercadoria e o sonho, a intuição, o deslumbramento com o mundo que nos rodeia foi dando lugar à preocupação exacerbada para com o dia de amanhã.
Um ser frio, calculista e individualista nasceu a partir da predominância da mente sobre as outras dimensões que compõe o humano. Por que nas escolas, além do ensino da utilização da mente não se fala da beleza, da gentileza, da leveza da poesia, da sensibilidade, do deslumbramento frente ao insondável e maravilhoso mistério da vida? Por que não se ensina a amizade, o companheirismo, a solidariedade, a alegria de se estar vivo junto com o outro e por isto mesmo com possibilidade de desfrutar a vida?
Será que a única resposta que temos para esta questão é que pelo desuso perdemos estas outras dimensões que compõe o que chamamos de humano?
É bom sabermos que a inteligência é um dom muito louvável no ser humano, mas é bom sabermos também que é apenas uma dimensão da nossa existência, não a única e talvez nem a mais importante. Outras dimensões fazem parte de nosso ser: os sentimentos, a sensibilidade, a intuição, o inconcebível. Estas talvez sejam partes bem superiores no ser humano. Seguramente são bem mais antigas. E são estas outras dimensões, que nos tornaram humanos, segundo a biologia do amor de Maturana e Varela, que foram “esquecidas”, sublimadas, em função desta nova capacidade surgida a tão pouco tempo no ser humano, entre 100 e 600 mil anos atrás, e que tanta falta faz a nossa civilização.
São estas outras dimensões que são responsáveis pelo afeto, pelo respeito, pela ética, pelo carinho, pelo cuidado para com o outro, pelo amor, pelo nosso deslumbramento diante deste tão maravilhoso mundo. São estas dimensões que nos permitem amar, querer nossos filhos, sentir o desejo de brincar com nossos filhos, construir belos rituais para louvar o desconhecido.
São também responsáveis pela beleza da solidariedade frente às vicissitudes alheias e são elas que nos permitem viver uma vida prazerosa e bela. Segundo o biólogo Humberto Maturana, o processo de hominização ocorrido com o antropóide deu-se exatamente em função da capacidade deste de compartilhar e amar os seus e a seus filhotes como nenhuma outra espécie de antropóide existente o fez. Foi o processo de compartilhar, cuidar e amar que deu espaço para o desenvolvimento da inteligência no ser humano.
Então por que nossas escolas são voltadas apenas para a dimensão do mental, a dimensão invasiva, fria, calculista, exata?
Provamos no decorrer destes milhares de anos que esta dimensão humana sozinha não é capaz de nos trazer paz e alegria. Provamos que atribuir a responsabilidade de nossa vida e desenvolvimento apenas a dimensão da inteligência é catastrófico para a vida humana a nível individual, coletiva e para todas as espécies vivas do planeta.
Se olharmos para o que construímos com nossa capacidade mental, sem dúvida veremos maravilhas: desvendamos a estrutura do átomo; fomos ao espaço; descobrimos a lógica do funcionamento do corpo humano; desvendamos certas leis da natureza que nos permitiu multiplicar por milhares de vezes a produção agrícola, etc; construímos lindas habitações individuais e coletivas; desenvolvemos belíssimos instrumentos musicais e criamos a fantástica arte do cinema, etc; mas fomos incapazes de parar de gerar dor, morte e destruição provenientes de nossos próprios atos políticos. Tornamo-nos cada vez mais incapazes de frear a máquina de guerra destruidora que nosso gênio mental inventou e perdemos a capacidade de amar, respeitar o próximo, termos sentimentos profundos e nos tornamos cada vez mais fúteis e insensíveis ao sofrimento do outro. Nossa comunidade não é mais uma comunidade pois não conhecemos nosso vizinho. O amor tornou-se uma mercadoria e o sonho, a intuição, o deslumbramento com o mundo que nos rodeia foi dando lugar à preocupação exacerbada para com o dia de amanhã.
Um ser frio, calculista e individualista nasceu a partir da predominância da mente sobre as outras dimensões que compõe o humano. Por que nas escolas, além do ensino da utilização da mente não se fala da beleza, da gentileza, da leveza da poesia, da sensibilidade, do deslumbramento frente ao insondável e maravilhoso mistério da vida? Por que não se ensina a amizade, o companheirismo, a solidariedade, a alegria de se estar vivo junto com o outro e por isto mesmo com possibilidade de desfrutar a vida?
Será que a única resposta que temos para esta questão é que pelo desuso perdemos estas outras dimensões que compõe o que chamamos de humano?
terça-feira, 30 de março de 2010
Meditação
A meditação, uma prática milenar utilizada cotidianamente no Oriente, é cada vez mais reconhecida no Ocidente e cada vez mais respeitada, tanto nos meios científicos quanto médicos, como um instrumento que traz benefícios tanto físicos quanto emocionais para quem a pratica regularmente.
Pesquisas apontam que a pessoa que pratica meditação, possue maior resistência às doenças, desenvolve maior autocontrole, aumenta a auto-estima, melhora a capacidade da memória, intensifica a inteligência aumentando a capacidade de aprendizagem, produz maior relaxamento físico, o que torna a pessoa mais tranqüila para enfrentar os desafios cotidianos, dá maior capacidade de discernimento para tomar decisões, enfim, produz uma série de benefícios tanto nos campos físico, quanto mental, emocional e espiritual.
Vários hospitais, hoje, introduzem técnicas da meditação diária para pacientes com diversos problemas entre os quais, os cardíacos e para situações pós-operatórias na qual o paciente precisa ficar em estado de relaxamento e repouso. Executivos de várias empresas, hoje, utilizam a meditação para permanecer em estado de alerta e centramento de que precisam para tomadas de decisões. Terapeutas de um modo geral utilizam a meditação como instrumento para obter progressos com seus clientes e cada vez mais, pessoas das mais diversas áreas praticam em suas casas ou centros, técnicas de meditação que ajudam a desenvolver maior capacidade para viver seu dia-a-dia com mais paz, harmonia e inteligência.
A tensão, proveniente da carga horária estafante do trabalho, em muito seria diminuída, senão extinta, caso a prática da meditação fizesse também parte do cotidiano daqueles cujo fazer diário é fonte de tensão e stress. A meditação hoje, portanto, não se restringe àqueles que seguem uma veia mística/espiritual, mas sim, a todos que desejam melhorar sua qualidade de vida, tanto no que se refere a melhora de sua produtividade no trabalho, quanto na sua vida diária.
Pesquisas apontam que a pessoa que pratica meditação, possue maior resistência às doenças, desenvolve maior autocontrole, aumenta a auto-estima, melhora a capacidade da memória, intensifica a inteligência aumentando a capacidade de aprendizagem, produz maior relaxamento físico, o que torna a pessoa mais tranqüila para enfrentar os desafios cotidianos, dá maior capacidade de discernimento para tomar decisões, enfim, produz uma série de benefícios tanto nos campos físico, quanto mental, emocional e espiritual.
Vários hospitais, hoje, introduzem técnicas da meditação diária para pacientes com diversos problemas entre os quais, os cardíacos e para situações pós-operatórias na qual o paciente precisa ficar em estado de relaxamento e repouso. Executivos de várias empresas, hoje, utilizam a meditação para permanecer em estado de alerta e centramento de que precisam para tomadas de decisões. Terapeutas de um modo geral utilizam a meditação como instrumento para obter progressos com seus clientes e cada vez mais, pessoas das mais diversas áreas praticam em suas casas ou centros, técnicas de meditação que ajudam a desenvolver maior capacidade para viver seu dia-a-dia com mais paz, harmonia e inteligência.
A tensão, proveniente da carga horária estafante do trabalho, em muito seria diminuída, senão extinta, caso a prática da meditação fizesse também parte do cotidiano daqueles cujo fazer diário é fonte de tensão e stress. A meditação hoje, portanto, não se restringe àqueles que seguem uma veia mística/espiritual, mas sim, a todos que desejam melhorar sua qualidade de vida, tanto no que se refere a melhora de sua produtividade no trabalho, quanto na sua vida diária.
domingo, 28 de março de 2010
A PAIXAO DE CRISTO ENCENADA NA PARAÍBA
Aconteceu numa cidadezinha lá nos confins da Paraíba!
O dono de um circo, em passagem pela cidade e sabendo quão religiosa era a comunidade,
resolveu encenar a PAIXÃO DE CRISTO na Sexta-Feira Santa.
O elenco foi escolhido dentre os moradores locais e, no papel principal - de Jesus Cristo –
colocaram o cara mais “gato” da cidade.
Os ensaios iam de vento em popa quando, às vésperas do evento, o dono do circo soube que o
“Jesus” estava de caso com sua mulher. Furioso, o homem deu-se conta que não podia fazer escândalo pois iria por a perder todo o trabalho e o investimento que fizera pra montar a peça.
Pensou, pensou...
Na véspera do espetáculo, comunicou ao elenco que iria participar fazendo o papel do CENTURIÃO !!!
- Mas como? - reclamaram todos!
- Você não ensaiou!
- Não é preciso ensaiar, porque centurião não fala! (Mesmo sem gostar, o elenco teve que aceitar, afinal,o cara era o dono do show).
Chegou o grande dia!
A cidade em peso compareceu. No momento mais solene, a platéia chorosa em profundo silêncio...
Jesus carregando a cruz... e o “centurião” começa a dar-lhe chicotadas...De verdade.
-Oxente, cabra, tá machucando!
Reclamou “Jesus”, em voz baixa.
- É pra dar mais veracidade à cena, devolveu o “centurião”. E tome mais chicotada... lept, lept,
o chicote comendo solto no lombo do infeliz..
Até que “Jesus” que já reclamara bastante, enfureceu-se de vez, largou a cruz no chão,
puxou uma PEIXEIRA e partiu pra cima do “centurião”:
_ “Vem, desgraçado! Vem cá que eu vou te ensinar a não bater num indefeso”!
O “centurião” correndo e “Jesus” com a peixeira correndo atrás e a platéia em delírio gritando:
“É isso aí! Fura ele, “Jesus”!
“Fura que aqui é a Paraíba, não é Jerusalém não !!! ”.
O dono de um circo, em passagem pela cidade e sabendo quão religiosa era a comunidade,
resolveu encenar a PAIXÃO DE CRISTO na Sexta-Feira Santa.
O elenco foi escolhido dentre os moradores locais e, no papel principal - de Jesus Cristo –
colocaram o cara mais “gato” da cidade.
Os ensaios iam de vento em popa quando, às vésperas do evento, o dono do circo soube que o
“Jesus” estava de caso com sua mulher. Furioso, o homem deu-se conta que não podia fazer escândalo pois iria por a perder todo o trabalho e o investimento que fizera pra montar a peça.
Pensou, pensou...
Na véspera do espetáculo, comunicou ao elenco que iria participar fazendo o papel do CENTURIÃO !!!
- Mas como? - reclamaram todos!
- Você não ensaiou!
- Não é preciso ensaiar, porque centurião não fala! (Mesmo sem gostar, o elenco teve que aceitar, afinal,o cara era o dono do show).
Chegou o grande dia!
A cidade em peso compareceu. No momento mais solene, a platéia chorosa em profundo silêncio...
Jesus carregando a cruz... e o “centurião” começa a dar-lhe chicotadas...De verdade.
-Oxente, cabra, tá machucando!
Reclamou “Jesus”, em voz baixa.
- É pra dar mais veracidade à cena, devolveu o “centurião”. E tome mais chicotada... lept, lept,
o chicote comendo solto no lombo do infeliz..
Até que “Jesus” que já reclamara bastante, enfureceu-se de vez, largou a cruz no chão,
puxou uma PEIXEIRA e partiu pra cima do “centurião”:
_ “Vem, desgraçado! Vem cá que eu vou te ensinar a não bater num indefeso”!
O “centurião” correndo e “Jesus” com a peixeira correndo atrás e a platéia em delírio gritando:
“É isso aí! Fura ele, “Jesus”!
“Fura que aqui é a Paraíba, não é Jerusalém não !!! ”.
segunda-feira, 22 de março de 2010
DESÂNIMO
Estou tão desanimado
Tão cansado
Tão descrente
Principalmente quando olho
Para meus dessemelhantes
E vejo em seus olhos
Um aparelhinho de televisão
Vejo que as cores são superficiais
Vejo que a voz é impostada
Vejo que a vida é um se arrastar
Debruçado em algum item vendido
Pelos aparelhos de imagem e voz
E a vida vai rolando item atrás de item
Moda atrás de moda
Criadas num moto contínuo inexorável
A conduzi-los feito gado
Não,
Feito feras autoflageladas
Flagelando crianças que nascem livres
Feito uma favela cercada de repórteres
Por todos os lados
Anunciando, anunciando, anunciando
Ad infinitum.
Tão cansado
Tão descrente
Principalmente quando olho
Para meus dessemelhantes
E vejo em seus olhos
Um aparelhinho de televisão
Vejo que as cores são superficiais
Vejo que a voz é impostada
Vejo que a vida é um se arrastar
Debruçado em algum item vendido
Pelos aparelhos de imagem e voz
E a vida vai rolando item atrás de item
Moda atrás de moda
Criadas num moto contínuo inexorável
A conduzi-los feito gado
Não,
Feito feras autoflageladas
Flagelando crianças que nascem livres
Feito uma favela cercada de repórteres
Por todos os lados
Anunciando, anunciando, anunciando
Ad infinitum.
E AGORA?
Agora
Apenas o canto dos pássaros
E o silvo do vento nas folhas das árvores
São os sons que escuto
No alto do lajedão
A casa toda de sombra
Espera a claridade
De tua presença
As pequenas plantas
Que com tanto zelo
Cultivastes
Penosamente
Sentindo meus parcos cuidados
Com dificuldade
Florescem!
Apenas o canto dos pássaros
E o silvo do vento nas folhas das árvores
São os sons que escuto
No alto do lajedão
A casa toda de sombra
Espera a claridade
De tua presença
As pequenas plantas
Que com tanto zelo
Cultivastes
Penosamente
Sentindo meus parcos cuidados
Com dificuldade
Florescem!
ESPERANÇA
Mesmo que o dia escureça
Mesmo que o chumbo cubra meu céu
Mesmo que o peito se comprima em lágrimas
Ainda assim a esperança
Uma fagulha que seja
Permanecerá presa nas cavernas do coração.
Mesmo que o caminho desapareça sob os pés
Mesmo que os sentidos não consigam perceber
Mesmo que a alma se perca na escuridão
Ainda assim a presença de vida
Far-se-á sentir nos gemidos
Nascidos da alma ferida.
Mesmo que a ferida esteja aberta
Mesmo que a fenda no peito seja profunda
Mesmo que não haja mão amiga a vista
Ainda assim haverá o contato
Do que resta da alma
Afagando as chagas da dor
Mesmo que não tenha mais nada
Mesmo que tudo me seja saqueado
Mesmo que nem um banco de praça reste
Ainda assim lembrarei que tudo passa
Que a dor consome a si mesma
E a luz pode alcançar o ser
Mesmo que não haja mais possibilidade
Mesmo que não tenha mais solução
Mesmo que a vida esteja por um único fio
Ainda assim ela estará por um único fio
O suficiente para segurar
A estrela que brilha no céu.
E a luz se fará
E nós veremos um novo mundo novo
Renascido das cinzas
Bem de dentro de nós
De nossa própria dor.
Mesmo que o chumbo cubra meu céu
Mesmo que o peito se comprima em lágrimas
Ainda assim a esperança
Uma fagulha que seja
Permanecerá presa nas cavernas do coração.
Mesmo que o caminho desapareça sob os pés
Mesmo que os sentidos não consigam perceber
Mesmo que a alma se perca na escuridão
Ainda assim a presença de vida
Far-se-á sentir nos gemidos
Nascidos da alma ferida.
Mesmo que a ferida esteja aberta
Mesmo que a fenda no peito seja profunda
Mesmo que não haja mão amiga a vista
Ainda assim haverá o contato
Do que resta da alma
Afagando as chagas da dor
Mesmo que não tenha mais nada
Mesmo que tudo me seja saqueado
Mesmo que nem um banco de praça reste
Ainda assim lembrarei que tudo passa
Que a dor consome a si mesma
E a luz pode alcançar o ser
Mesmo que não haja mais possibilidade
Mesmo que não tenha mais solução
Mesmo que a vida esteja por um único fio
Ainda assim ela estará por um único fio
O suficiente para segurar
A estrela que brilha no céu.
E a luz se fará
E nós veremos um novo mundo novo
Renascido das cinzas
Bem de dentro de nós
De nossa própria dor.
segunda-feira, 8 de março de 2010
Viva a Mulher
Por que se comemora 8 de Março como o dia internacional da mulher?
A resposta mais óbvia é que em 1910 durante a II Conferência Internacional de Mulheres Socialistas na Dinamarca, uma resolução para a criação de uma data anual para a celebração dos direitos da mulher foi aprovada por mais de 100 representantes de 17 países. O objetivo era honrar as lutas femininas e assim obter suporte para instituir o sufrágio universal em diversas nações.
No entanto, para além dessa resposta de caráter histórico, existe também a necessidade de responder a questão dentro de uma abordagem evolucionária da espécie humana e que portanto diz respeito a todos nós interessados em traçar melhores rumos para nossa história. A questão colocada é a seguinte: não é mais possível haver evolução sem a inserção da experiência emocional/espiritual feminina no universo masculino.
Durante longos estágios de história, a presença masculina esteve sempre vinculada ao comando da sociedade, a manutenção material da espécie, seja quando éramos caçadores, seja quando conquistadores guerreiros, seja produzindo e construindo as condições materiais para dar suporte a vida humana, enquanto a mulher esteve mais voltada para a tarefa do criar e dar suporte espiritual e emocional aos membros dos grupos sociais, seja como mãe, como esposa ou como sacerdotisa ou mesmo deusa.
No entanto, o desenvolvimento da vida moderna retira este status da mulher e a coloca em pé de igualdade ao homem no que diz respeito a produção de bens materiais para o sustento da família. Agora, não é apenas o homem o provedor material da espécie, mas também a mulher que assume as novas funções sociais. Mas ela não vem desenvolver essa nova tarefa sem interferir com o universo masculino. Ela traz princípios novos que serão a base de uma sociedade rica e produtiva: a espiritualidade e a emoção. Estes princípios são fatores fundamentais para a evolução da espécie e vão gradativamente se inserindo no universo masculino transformando o homem em um ser mais espiritualizado e emocional o que traz outra dimensão à sociedade humana.
A mulher, portanto, tem papel vanguardista nesse processo evolucionário humano hoje, quando traz sua milenar experiência na lida com as coisas do espírito e da emoção. O ser humano antes partido, dividido entre aquele que produz os bens materiais e aquele que tem na emoção e na espiritualidade sua força de vida, reúne-se para formar uma nova humanidade, uma nova espécie mais integrada com os valores tanto materiais quanto espirituais e emocionais.
Infelizmente, muitos homens e mesmo muitas mulheres, ainda não compreenderam este novo estágio pelo qual passa a humanidade, não percebendo a enorme importância para a evolução da espécie do papel da mulher nos dias de hoje e recusa-se a honrá-las como se as deve honrar e as mantém dentro de um antigo paradigma.
Sem sombra de dúvida, a evolução da espécie passará inevitavelmente pela libertação total da mulher do antigo paradigma e pela sua completa individuação como pessoa humana. Portanto, não se trata de festejar apenas uma data, mas sim de festejar o anúncio de uma nova Era.
Firdauz
A resposta mais óbvia é que em 1910 durante a II Conferência Internacional de Mulheres Socialistas na Dinamarca, uma resolução para a criação de uma data anual para a celebração dos direitos da mulher foi aprovada por mais de 100 representantes de 17 países. O objetivo era honrar as lutas femininas e assim obter suporte para instituir o sufrágio universal em diversas nações.
No entanto, para além dessa resposta de caráter histórico, existe também a necessidade de responder a questão dentro de uma abordagem evolucionária da espécie humana e que portanto diz respeito a todos nós interessados em traçar melhores rumos para nossa história. A questão colocada é a seguinte: não é mais possível haver evolução sem a inserção da experiência emocional/espiritual feminina no universo masculino.
Durante longos estágios de história, a presença masculina esteve sempre vinculada ao comando da sociedade, a manutenção material da espécie, seja quando éramos caçadores, seja quando conquistadores guerreiros, seja produzindo e construindo as condições materiais para dar suporte a vida humana, enquanto a mulher esteve mais voltada para a tarefa do criar e dar suporte espiritual e emocional aos membros dos grupos sociais, seja como mãe, como esposa ou como sacerdotisa ou mesmo deusa.
No entanto, o desenvolvimento da vida moderna retira este status da mulher e a coloca em pé de igualdade ao homem no que diz respeito a produção de bens materiais para o sustento da família. Agora, não é apenas o homem o provedor material da espécie, mas também a mulher que assume as novas funções sociais. Mas ela não vem desenvolver essa nova tarefa sem interferir com o universo masculino. Ela traz princípios novos que serão a base de uma sociedade rica e produtiva: a espiritualidade e a emoção. Estes princípios são fatores fundamentais para a evolução da espécie e vão gradativamente se inserindo no universo masculino transformando o homem em um ser mais espiritualizado e emocional o que traz outra dimensão à sociedade humana.
A mulher, portanto, tem papel vanguardista nesse processo evolucionário humano hoje, quando traz sua milenar experiência na lida com as coisas do espírito e da emoção. O ser humano antes partido, dividido entre aquele que produz os bens materiais e aquele que tem na emoção e na espiritualidade sua força de vida, reúne-se para formar uma nova humanidade, uma nova espécie mais integrada com os valores tanto materiais quanto espirituais e emocionais.
Infelizmente, muitos homens e mesmo muitas mulheres, ainda não compreenderam este novo estágio pelo qual passa a humanidade, não percebendo a enorme importância para a evolução da espécie do papel da mulher nos dias de hoje e recusa-se a honrá-las como se as deve honrar e as mantém dentro de um antigo paradigma.
Sem sombra de dúvida, a evolução da espécie passará inevitavelmente pela libertação total da mulher do antigo paradigma e pela sua completa individuação como pessoa humana. Portanto, não se trata de festejar apenas uma data, mas sim de festejar o anúncio de uma nova Era.
Firdauz
domingo, 7 de março de 2010
POR QUE POESIA EM TEMPOS DE INDIGÊNCIA?
Nos dicionários encontramos a palavra indigência significando pobreza, carência, falta do mínimo necessário à sobrevivência, sempre numa referência a não satisfação das necessidades básicas do corpo. No entanto, a pergunta acima, me leva a uma reflexão que vai além destas afirmativas dicionárias. A indigência de que o homem padece hoje e talvez sempre tenha padecido é também de cunho emocional/espiritual, é indigência de si mesmo, de carinho e de compaixão para consigo mesmo. É a indigência dos tempos míticos desde nossa expulsão do paraíso.
Em minha visão, no entanto, nós nunca estivemos tão próximos como agora, de uma mudança mais radical do que a que se avizinha, como uma possível volta ao reino paradisíaco perdido.
Sabemos que, tecnicamente, a fome não é mais compatível com o mundo contemporâneo e que a produção de alimentos mundial é mais que suficiente para matar a fome de todos os habitantes de nosso planeta. Então, por que ainda existir este flagelo que mata milhões de pessoas? Por que nós, agora imbuídos de conhecimentos científicos, não resolvemos muitos dos problemas com soluções óbvias, que afligem a humanidade como um todo, inclusive pondo em perigo a própria sobrevivência do planeta?
A resposta é clara. Ela está na necessidade urgente de uma mudança comportamental do ser humano. Uma mudança nos nossos valores, nos nossos hábitos, na nossa capacidade de “enxergar” o mundo como uma entidade viva da qual fazemos parte apenas como uma teia de infinitas relações de interdependência e que ao quebrarmos esta teia, afetamos todo este equilíbrio vivo. Ou seja, estamos agindo de forma tal que desequilibramos a rede da vida pondo em perigo toda a terra.
Uma mudança de valores portanto se faz necessário. Uma mudança espiritual se faz urgente.
E aí entra a importância da poesia nestes tempos de indigência pelos quais passamos, porque é palavra transformada em emoção, em experiência existencial/estética. Uma frase bem escrita, uma reflexão transparente e aberta nos ajuda a compreender o mundo e a nós mesmos a partir de nossa própria vivência. Olhar o mundo com emoção, emocionar-se com um pôr-do-sol ou um nascer-do-sol, com um olhar de uma criança, com o desabrochar de uma rosa é poesia. Perceber a vida como uma cadeia de aconteceres e imaginar-se nesta cadeia, como parte integrante da dança do universo é poesia também. Olhar para o interior de nós mesmos e percebermos a mágica composição de nossa constituição é a poesia da vida. Poder olhar a vida e estaziar-se com sua elegância e beleza é impossibilitar-nos agir contrariamente as leis naturais e mudarmos nossos comportamentos agressivos, anti-sociais e antiéticos. Olhar a vida, portanto, como o poeta olha a palavra, é condição fundamental para que transformemos este planeta num lugar mais habitável, mais humano e mais bonito de se viver. A poesia na verdade, é a nossa essência, é o que unifica todos os povos, nosso bem comum.
Firdauz
Em minha visão, no entanto, nós nunca estivemos tão próximos como agora, de uma mudança mais radical do que a que se avizinha, como uma possível volta ao reino paradisíaco perdido.
Sabemos que, tecnicamente, a fome não é mais compatível com o mundo contemporâneo e que a produção de alimentos mundial é mais que suficiente para matar a fome de todos os habitantes de nosso planeta. Então, por que ainda existir este flagelo que mata milhões de pessoas? Por que nós, agora imbuídos de conhecimentos científicos, não resolvemos muitos dos problemas com soluções óbvias, que afligem a humanidade como um todo, inclusive pondo em perigo a própria sobrevivência do planeta?
A resposta é clara. Ela está na necessidade urgente de uma mudança comportamental do ser humano. Uma mudança nos nossos valores, nos nossos hábitos, na nossa capacidade de “enxergar” o mundo como uma entidade viva da qual fazemos parte apenas como uma teia de infinitas relações de interdependência e que ao quebrarmos esta teia, afetamos todo este equilíbrio vivo. Ou seja, estamos agindo de forma tal que desequilibramos a rede da vida pondo em perigo toda a terra.
Uma mudança de valores portanto se faz necessário. Uma mudança espiritual se faz urgente.
E aí entra a importância da poesia nestes tempos de indigência pelos quais passamos, porque é palavra transformada em emoção, em experiência existencial/estética. Uma frase bem escrita, uma reflexão transparente e aberta nos ajuda a compreender o mundo e a nós mesmos a partir de nossa própria vivência. Olhar o mundo com emoção, emocionar-se com um pôr-do-sol ou um nascer-do-sol, com um olhar de uma criança, com o desabrochar de uma rosa é poesia. Perceber a vida como uma cadeia de aconteceres e imaginar-se nesta cadeia, como parte integrante da dança do universo é poesia também. Olhar para o interior de nós mesmos e percebermos a mágica composição de nossa constituição é a poesia da vida. Poder olhar a vida e estaziar-se com sua elegância e beleza é impossibilitar-nos agir contrariamente as leis naturais e mudarmos nossos comportamentos agressivos, anti-sociais e antiéticos. Olhar a vida, portanto, como o poeta olha a palavra, é condição fundamental para que transformemos este planeta num lugar mais habitável, mais humano e mais bonito de se viver. A poesia na verdade, é a nossa essência, é o que unifica todos os povos, nosso bem comum.
Firdauz
segunda-feira, 1 de março de 2010
Nem isto nem aquilo
Geralmente se ouve dizer: aos políticos a política; aos espiritualistas as coisas do espírito. Porém, nada mais enganosa que esta afirmação. O ser humano não é dividido em departamentos, ele é tanto o céu quanto a terra; matéria e pensamento; abstrato e concreto; vida e morte; o agora e o sempre.
Infelizmente, no decorrer de nossa história, fragmentamos nosso ser e passamos a nos comportar como se fossemos seres ou apenas dos céus (e então os espiritualistas se escondem nas montanhas), ou apenas da terra (e nos transformamos em acumuladores frenéticos de bens materiais, como que viciados no verbo ter).
É preciso que compreendamos, que o caminho é para a unidade e que a espiritualidade que tanto buscamos indo aos mosteiros, fazendo yoga, meditação, etc, não está em discordância com questões concernentes a melhora do padrão de vida social, o que implica dizer que não está fora da batalha da discussão sociológica por uma comunidade mais justa e igualitária, mas muito ao contrário, nosso aprimoramento espiritual está intrinsecamente vinculado a melhora da qualidade material de toda a sociedade humana o que corresponde ao grande plano cósmico evolucionário do espírito.
Infelizmente, no decorrer de nossa história, fragmentamos nosso ser e passamos a nos comportar como se fossemos seres ou apenas dos céus (e então os espiritualistas se escondem nas montanhas), ou apenas da terra (e nos transformamos em acumuladores frenéticos de bens materiais, como que viciados no verbo ter).
É preciso que compreendamos, que o caminho é para a unidade e que a espiritualidade que tanto buscamos indo aos mosteiros, fazendo yoga, meditação, etc, não está em discordância com questões concernentes a melhora do padrão de vida social, o que implica dizer que não está fora da batalha da discussão sociológica por uma comunidade mais justa e igualitária, mas muito ao contrário, nosso aprimoramento espiritual está intrinsecamente vinculado a melhora da qualidade material de toda a sociedade humana o que corresponde ao grande plano cósmico evolucionário do espírito.
POR UMA NOVA QUALIDADE DE VIDA.
É de manhã, seis horas. Você acordou. Os pensamentos ainda vêm à cabeça de forma lenta e imprecisa. Você ainda esta se desvencilhando do relaxamento provocado pela noite de sono. Estirando o corpo, espreguiçando. Neste momento, você levanta, vai para algum espaço de sua casa onde possa sentar-se confortavelmente, de preferência sobre uma almofada, coloca uma música bem suave e com volume baixo em seu aparelho de som, fecha os olhos e passa a ser observador de si mesmo. Você vai agora observar maravilhoso silêncio interno que reside dentro de você.
Assinar:
Postagens (Atom)