segunda-feira, 12 de abril de 2010

PRATICANDO A MEDITAÇÃO

Muitas pessoas gostariam de praticar meditação mas não sabem por onde começar. Ouviram falar por exemplo que a prática desta atividade faz muito bem ao espírito e a vida pessoal, que traz tranqüilidade, autoconhecimento e saúde psíquica. Ficam se imaginando meditando, tornando-se mais espirituais, mais tranqüilos, melhores.

Mas ai vem uma pergunta: como meditar? o que fazer para colocar o pé na estrada e praticar? Será que é apenas ficar sentado em posição igual a que o mestre iluminado Buda ficava, - conhecida como posição de lótus - fechar os olhos e pronto? Só isto?

Pensando assim, ficamos a nos imaginar sentados de olhos fechados sem fazer nada, como se estivéssemos perdendo tempo –e tempo é dinheiro – e logo desistimos cansados desta imagem que não nos agrada.

Na verdade a meditação é a arte/ciência de buscar o silêncio interior. E para encontrar este silêncio pode-se e deve-se utilizar várias técnicas que foram criadas ao longo dos milênios, principalmente pelo povo oriental. Estas técnicas variaram muito ao longo dos tempos. Os yogues, os sufis, os zen budistas e vários mestres orientais como Buda, paramahansa Yogananda, Osho, etc, criaram muitas técnicas, para auxiliar as pessoas a se encontrarem através desta prática.

Portanto, a primeira coisa que se tem que saber é que ficar sentado em posição de lotus - a posição do Buda – é apenas uma das muitas centenas de técnicas de fazer meditação e segundo alguns, das mais difíceis.

Encontrar o silêncio interior requer prática e compromisso. Requer coragem para se auto-conhecer. Coragem porque pode ser encontrado muitas coisas bem no fundo de si mesmo que não gostaria ou que nem imaginava que estivesse ali, bem no inconsciente.

A prática inicial do meditador é o testemunhar. Qualquer tipo de técnica que você utilizar, utilize-a para ser um observador de si mesmo. Se a técnica que for usada for a de sentar-se na posição de lótus, sente-se e tente observar o pensamento, o que ocorre com ele, para onde ele vai, quais os pensamentos que vem a sua mente, etc. O importante é você conseguir ser uma testemunha de si mesmo, não se identificar com o próprio pensamento, deixá-lo vir e deixá-lo passar, ser testemunho consciente deste tráfego ininterrupto que é o nosso pensamento.

Pratique isto de início e você começará a sentir que aquela imagem que fazia do ato de meditar começará a mudar, começará a perceber sentido neste ato, e mais ainda, começará a perceber que você pode ser o senhor de seus pensamentos, senhor de seus atos e não mero joguete que vaga ao sabor de suas emoções, de seus pensamentos, de seus humores e passará a ter mais controle sobre si mesmo.

Comece por este caminho e você verá porque a meditação é hoje tão necessária para se ter uma vida mais equilibrada e feliz.

domingo, 4 de abril de 2010

A ERA DO PRAGMATISMO

Esta é a Era do pragmatismo. A Era da ação prática, qualquer que seja ela para se atingir os fins desejados. O que importa é viver o agora sem medir as conseqüências, sem sonhar ou ter projetos que visem o bem comum.
O importante é o ter agora, consumir o máximo possível, aproveitar, gozar a vida segundo certos padrões duvidosos espalhados a três por quatro pelos meios de comunicação. O importante é comer muito, é vestir o mais diferente e caro possível, é transar com mil homens ou mil mulheres e em situações as mais exóticas possíveis, é ter mansões e sonhar com o carro mais caro possível.
Não importa o outro! O que tenho eu haver com o outro? Cada qual vivendo sua vida como deve ser. Não me importa se o outro sente dor na alma ou no corpo, não me importa o outro, o que importa sou eu, esta ilha cercada de gente distante de mim por todos os lados. Todos são desconhecidos e meus concorrentes. Concorrem e querem meu emprego e minha mulher, o meu dinheiro e minha casa, o meu carro e até minha alegria. Tenho que viver em uma redoma de vidro para me proteger dos outros, meus dessemelhantes.
Esta é uma Era sem sonhos e sem esperanças, o fim de um paradigma, a morte de Shiva. Nas escolas nas ruas, nos campos, em todas as partes é o pragmatismo que domina, é a ação animal, desprovida de objetivos que não sejam eu próprio. A idéia neoliberal, a concorrência absoluta tomou conta de nossas mentes. O ideal é concorrer, é ver quem pode mais, é ver quem vai mais longe, é ver quem consegue mais. E diz-se que a competição, a concorrência faz parte da natureza do ser humano, como se alguém pudesse definir o humano, como se alguém pudesse dizer este é o ser humano.
Não, na verdade o ser humano é um eterno vir-a-ser, é um eterno projeto se autoconstruindo, mudando, transformando a si mesmo em seu processo de construção da vida. Já mudamos muito, experimentamos muito no correr de nossa história e continuamos experimentando. Este momento é apenas uma passagem, um momento nosso, um erro do qual devemos tirar aprendizados para não repeti-los no futuro, assim com tanto já erramos no passado.
Um dia, quando acordarmos, vamos ver que estávamos no caminho errado, que não somos uma ilha, mas sim uma rede de relações que se interconectam como se interconectam os fios invisíveis da Internet, vamos ver que somos dependentes uns dos outros, que fazemos parte de um mesmo universo de colaborações mútuas. Vamos perceber que não podemos viver sozinhos, que os animais, os vegetais e os minerais são parte de nossa estrutura físico-molecular e que neles estão contidos os mistérios necessários a nossa saúde psíquica e física e vamos perceber que a vida é constante transformação e que a nós foi dado o dom de perceber essas transformações. Há que chegar o momento de percebermos que nós temos o privilégio de ser o elo de ligação entre as coisas do céu e da terra, que a nós foi dado raízes e asas, e que nos cabe cuidar amorosamente desse pequeno pedaço de terra que gira infinitamente no espaço sideral.
Um dia nós vamos acordar. Eu sei disso. Você sabe disso. Muitos já sabemos disso.
Por que não abrir os olhos?

quinta-feira, 1 de abril de 2010

A inteligência e as outras dimensões do humano

Somos tão inteligentes, tão dinâmicos, tão espertos... e no entanto, não conseguimos ver a destruição que ocorre em todos os pontos do planeta e bem ao nosso redor. E não conseguimos perceber que essa destruição afeta a nossa vida. E não conseguimos entender que a nossa vida é apenas um projeto de outros que organizam a nossa vida.

É bom sabermos que a inteligência é um dom muito louvável no ser humano, mas é bom sabermos também que é apenas uma dimensão da nossa existência, não a única e talvez nem a mais importante. Outras dimensões fazem parte de nosso ser: os sentimentos, a sensibilidade, a intuição, o inconcebível. Estas talvez sejam partes bem superiores no ser humano. Seguramente são bem mais antigas. E são estas outras dimensões, que nos tornaram humanos, segundo a biologia do amor de Maturana e Varela, que foram “esquecidas”, sublimadas, em função desta nova capacidade surgida a tão pouco tempo no ser humano, entre 100 e 600 mil anos atrás, e que tanta falta faz a nossa civilização.

São estas outras dimensões que são responsáveis pelo afeto, pelo respeito, pela ética, pelo carinho, pelo cuidado para com o outro, pelo amor, pelo nosso deslumbramento diante deste tão maravilhoso mundo. São estas dimensões que nos permitem amar, querer nossos filhos, sentir o desejo de brincar com nossos filhos, construir belos rituais para louvar o desconhecido.

São também responsáveis pela beleza da solidariedade frente às vicissitudes alheias e são elas que nos permitem viver uma vida prazerosa e bela. Segundo o biólogo Humberto Maturana, o processo de hominização ocorrido com o antropóide deu-se exatamente em função da capacidade deste de compartilhar e amar os seus e a seus filhotes como nenhuma outra espécie de antropóide existente o fez. Foi o processo de compartilhar, cuidar e amar que deu espaço para o desenvolvimento da inteligência no ser humano.

Então por que nossas escolas são voltadas apenas para a dimensão do mental, a dimensão invasiva, fria, calculista, exata?

Provamos no decorrer destes milhares de anos que esta dimensão humana sozinha não é capaz de nos trazer paz e alegria. Provamos que atribuir a responsabilidade de nossa vida e desenvolvimento apenas a dimensão da inteligência é catastrófico para a vida humana a nível individual, coletiva e para todas as espécies vivas do planeta.

Se olharmos para o que construímos com nossa capacidade mental, sem dúvida veremos maravilhas: desvendamos a estrutura do átomo; fomos ao espaço; descobrimos a lógica do funcionamento do corpo humano; desvendamos certas leis da natureza que nos permitiu multiplicar por milhares de vezes a produção agrícola, etc; construímos lindas habitações individuais e coletivas; desenvolvemos belíssimos instrumentos musicais e criamos a fantástica arte do cinema, etc; mas fomos incapazes de parar de gerar dor, morte e destruição provenientes de nossos próprios atos políticos. Tornamo-nos cada vez mais incapazes de frear a máquina de guerra destruidora que nosso gênio mental inventou e perdemos a capacidade de amar, respeitar o próximo, termos sentimentos profundos e nos tornamos cada vez mais fúteis e insensíveis ao sofrimento do outro. Nossa comunidade não é mais uma comunidade pois não conhecemos nosso vizinho. O amor tornou-se uma mercadoria e o sonho, a intuição, o deslumbramento com o mundo que nos rodeia foi dando lugar à preocupação exacerbada para com o dia de amanhã.

Um ser frio, calculista e individualista nasceu a partir da predominância da mente sobre as outras dimensões que compõe o humano. Por que nas escolas, além do ensino da utilização da mente não se fala da beleza, da gentileza, da leveza da poesia, da sensibilidade, do deslumbramento frente ao insondável e maravilhoso mistério da vida? Por que não se ensina a amizade, o companheirismo, a solidariedade, a alegria de se estar vivo junto com o outro e por isto mesmo com possibilidade de desfrutar a vida?
Será que a única resposta que temos para esta questão é que pelo desuso perdemos estas outras dimensões que compõe o que chamamos de humano?

terça-feira, 30 de março de 2010

Meditação

A meditação, uma prática milenar utilizada cotidianamente no Oriente, é cada vez mais reconhecida no Ocidente e cada vez mais respeitada, tanto nos meios científicos quanto médicos, como um instrumento que traz benefícios tanto físicos quanto emocionais para quem a pratica regularmente.
Pesquisas apontam que a pessoa que pratica meditação, possue maior resistência às doenças, desenvolve maior autocontrole, aumenta a auto-estima, melhora a capacidade da memória, intensifica a inteligência aumentando a capacidade de aprendizagem, produz maior relaxamento físico, o que torna a pessoa mais tranqüila para enfrentar os desafios cotidianos, dá maior capacidade de discernimento para tomar decisões, enfim, produz uma série de benefícios tanto nos campos físico, quanto mental, emocional e espiritual.
Vários hospitais, hoje, introduzem técnicas da meditação diária para pacientes com diversos problemas entre os quais, os cardíacos e para situações pós-operatórias na qual o paciente precisa ficar em estado de relaxamento e repouso. Executivos de várias empresas, hoje, utilizam a meditação para permanecer em estado de alerta e centramento de que precisam para tomadas de decisões. Terapeutas de um modo geral utilizam a meditação como instrumento para obter progressos com seus clientes e cada vez mais, pessoas das mais diversas áreas praticam em suas casas ou centros, técnicas de meditação que ajudam a desenvolver maior capacidade para viver seu dia-a-dia com mais paz, harmonia e inteligência.
A tensão, proveniente da carga horária estafante do trabalho, em muito seria diminuída, senão extinta, caso a prática da meditação fizesse também parte do cotidiano daqueles cujo fazer diário é fonte de tensão e stress. A meditação hoje, portanto, não se restringe àqueles que seguem uma veia mística/espiritual, mas sim, a todos que desejam melhorar sua qualidade de vida, tanto no que se refere a melhora de sua produtividade no trabalho, quanto na sua vida diária.

domingo, 28 de março de 2010

A PAIXAO DE CRISTO ENCENADA NA PARAÍBA

Aconteceu numa cidadezinha lá nos confins da Paraíba!
O dono de um circo, em passagem pela cidade e sabendo quão religiosa era a comunidade,
resolveu encenar a PAIXÃO DE CRISTO na Sexta-Feira Santa.
O elenco foi escolhido dentre os moradores locais e, no papel principal - de Jesus Cristo –
colocaram o cara mais “gato” da cidade.
Os ensaios iam de vento em popa quando, às vésperas do evento, o dono do circo soube que o
“Jesus” estava de caso com sua mulher. Furioso, o homem deu-se conta que não podia fazer escândalo pois iria por a perder todo o trabalho e o investimento que fizera pra montar a peça.
Pensou, pensou...
Na véspera do espetáculo, comunicou ao elenco que iria participar fazendo o papel do CENTURIÃO !!!
- Mas como? - reclamaram todos!
- Você não ensaiou!
- Não é preciso ensaiar, porque centurião não fala! (Mesmo sem gostar, o elenco teve que aceitar, afinal,o cara era o dono do show).
Chegou o grande dia!
A cidade em peso compareceu. No momento mais solene, a platéia chorosa em profundo silêncio...
Jesus carregando a cruz... e o “centurião” começa a dar-lhe chicotadas...De verdade.
-Oxente, cabra, tá machucando!
Reclamou “Jesus”, em voz baixa.
- É pra dar mais veracidade à cena, devolveu o “centurião”. E tome mais chicotada... lept, lept,
o chicote comendo solto no lombo do infeliz..
Até que “Jesus” que já reclamara bastante, enfureceu-se de vez, largou a cruz no chão,
puxou uma PEIXEIRA e partiu pra cima do “centurião”:
_ “Vem, desgraçado! Vem cá que eu vou te ensinar a não bater num indefeso”!
O “centurião” correndo e “Jesus” com a peixeira correndo atrás e a platéia em delírio gritando:
“É isso aí! Fura ele, “Jesus”!
“Fura que aqui é a Paraíba, não é Jerusalém não !!! ”.

segunda-feira, 22 de março de 2010

DESÂNIMO

Estou tão desanimado
Tão cansado
Tão descrente
Principalmente quando olho
Para meus dessemelhantes
E vejo em seus olhos
Um aparelhinho de televisão

Vejo que as cores são superficiais
Vejo que a voz é impostada
Vejo que a vida é um se arrastar
Debruçado em algum item vendido
Pelos aparelhos de imagem e voz

E a vida vai rolando item atrás de item
Moda atrás de moda
Criadas num moto contínuo inexorável
A conduzi-los feito gado
Não,
Feito feras autoflageladas
Flagelando crianças que nascem livres

Feito uma favela cercada de repórteres
Por todos os lados
Anunciando, anunciando, anunciando
Ad infinitum.

E AGORA?

Agora
Apenas o canto dos pássaros
E o silvo do vento nas folhas das árvores
São os sons que escuto
No alto do lajedão

A casa toda de sombra
Espera a claridade
De tua presença

As pequenas plantas
Que com tanto zelo
Cultivastes
Penosamente
Sentindo meus parcos cuidados
Com dificuldade
Florescem!

ESPERANÇA

Mesmo que o dia escureça
Mesmo que o chumbo cubra meu céu
Mesmo que o peito se comprima em lágrimas
Ainda assim a esperança
Uma fagulha que seja
Permanecerá presa nas cavernas do coração.

Mesmo que o caminho desapareça sob os pés
Mesmo que os sentidos não consigam perceber
Mesmo que a alma se perca na escuridão
Ainda assim a presença de vida
Far-se-á sentir nos gemidos
Nascidos da alma ferida.

Mesmo que a ferida esteja aberta
Mesmo que a fenda no peito seja profunda
Mesmo que não haja mão amiga a vista
Ainda assim haverá o contato
Do que resta da alma
Afagando as chagas da dor

Mesmo que não tenha mais nada
Mesmo que tudo me seja saqueado
Mesmo que nem um banco de praça reste
Ainda assim lembrarei que tudo passa
Que a dor consome a si mesma
E a luz pode alcançar o ser

Mesmo que não haja mais possibilidade
Mesmo que não tenha mais solução
Mesmo que a vida esteja por um único fio
Ainda assim ela estará por um único fio
O suficiente para segurar
A estrela que brilha no céu.

E a luz se fará
E nós veremos um novo mundo novo
Renascido das cinzas
Bem de dentro de nós
De nossa própria dor.

segunda-feira, 8 de março de 2010

Viva a Mulher

Por que se comemora 8 de Março como o dia internacional da mulher?

A resposta mais óbvia é que em 1910 durante a II Conferência Internacional de Mulheres Socialistas na Dinamarca, uma resolução para a criação de uma data anual para a celebração dos direitos da mulher foi aprovada por mais de 100 representantes de 17 países. O objetivo era honrar as lutas femininas e assim obter suporte para instituir o sufrágio universal em diversas nações.

No entanto, para além dessa resposta de caráter histórico, existe também a necessidade de responder a questão dentro de uma abordagem evolucionária da espécie humana e que portanto diz respeito a todos nós interessados em traçar melhores rumos para nossa história. A questão colocada é a seguinte: não é mais possível haver evolução sem a inserção da experiência emocional/espiritual feminina no universo masculino.

Durante longos estágios de história, a presença masculina esteve sempre vinculada ao comando da sociedade, a manutenção material da espécie, seja quando éramos caçadores, seja quando conquistadores guerreiros, seja produzindo e construindo as condições materiais para dar suporte a vida humana, enquanto a mulher esteve mais voltada para a tarefa do criar e dar suporte espiritual e emocional aos membros dos grupos sociais, seja como mãe, como esposa ou como sacerdotisa ou mesmo deusa.

No entanto, o desenvolvimento da vida moderna retira este status da mulher e a coloca em pé de igualdade ao homem no que diz respeito a produção de bens materiais para o sustento da família. Agora, não é apenas o homem o provedor material da espécie, mas também a mulher que assume as novas funções sociais. Mas ela não vem desenvolver essa nova tarefa sem interferir com o universo masculino. Ela traz princípios novos que serão a base de uma sociedade rica e produtiva: a espiritualidade e a emoção. Estes princípios são fatores fundamentais para a evolução da espécie e vão gradativamente se inserindo no universo masculino transformando o homem em um ser mais espiritualizado e emocional o que traz outra dimensão à sociedade humana.

A mulher, portanto, tem papel vanguardista nesse processo evolucionário humano hoje, quando traz sua milenar experiência na lida com as coisas do espírito e da emoção. O ser humano antes partido, dividido entre aquele que produz os bens materiais e aquele que tem na emoção e na espiritualidade sua força de vida, reúne-se para formar uma nova humanidade, uma nova espécie mais integrada com os valores tanto materiais quanto espirituais e emocionais.

Infelizmente, muitos homens e mesmo muitas mulheres, ainda não compreenderam este novo estágio pelo qual passa a humanidade, não percebendo a enorme importância para a evolução da espécie do papel da mulher nos dias de hoje e recusa-se a honrá-las como se as deve honrar e as mantém dentro de um antigo paradigma.

Sem sombra de dúvida, a evolução da espécie passará inevitavelmente pela libertação total da mulher do antigo paradigma e pela sua completa individuação como pessoa humana. Portanto, não se trata de festejar apenas uma data, mas sim de festejar o anúncio de uma nova Era.

Firdauz

domingo, 7 de março de 2010

POR QUE POESIA EM TEMPOS DE INDIGÊNCIA?

Nos dicionários encontramos a palavra indigência significando pobreza, carência, falta do mínimo necessário à sobrevivência, sempre numa referência a não satisfação das necessidades básicas do corpo. No entanto, a pergunta acima, me leva a uma reflexão que vai além destas afirmativas dicionárias. A indigência de que o homem padece hoje e talvez sempre tenha padecido é também de cunho emocional/espiritual, é indigência de si mesmo, de carinho e de compaixão para consigo mesmo. É a indigência dos tempos míticos desde nossa expulsão do paraíso.
Em minha visão, no entanto, nós nunca estivemos tão próximos como agora, de uma mudança mais radical do que a que se avizinha, como uma possível volta ao reino paradisíaco perdido.
Sabemos que, tecnicamente, a fome não é mais compatível com o mundo contemporâneo e que a produção de alimentos mundial é mais que suficiente para matar a fome de todos os habitantes de nosso planeta. Então, por que ainda existir este flagelo que mata milhões de pessoas? Por que nós, agora imbuídos de conhecimentos científicos, não resolvemos muitos dos problemas com soluções óbvias, que afligem a humanidade como um todo, inclusive pondo em perigo a própria sobrevivência do planeta?
A resposta é clara. Ela está na necessidade urgente de uma mudança comportamental do ser humano. Uma mudança nos nossos valores, nos nossos hábitos, na nossa capacidade de “enxergar” o mundo como uma entidade viva da qual fazemos parte apenas como uma teia de infinitas relações de interdependência e que ao quebrarmos esta teia, afetamos todo este equilíbrio vivo. Ou seja, estamos agindo de forma tal que desequilibramos a rede da vida pondo em perigo toda a terra.
Uma mudança de valores portanto se faz necessário. Uma mudança espiritual se faz urgente.
E aí entra a importância da poesia nestes tempos de indigência pelos quais passamos, porque é palavra transformada em emoção, em experiência existencial/estética. Uma frase bem escrita, uma reflexão transparente e aberta nos ajuda a compreender o mundo e a nós mesmos a partir de nossa própria vivência. Olhar o mundo com emoção, emocionar-se com um pôr-do-sol ou um nascer-do-sol, com um olhar de uma criança, com o desabrochar de uma rosa é poesia. Perceber a vida como uma cadeia de aconteceres e imaginar-se nesta cadeia, como parte integrante da dança do universo é poesia também. Olhar para o interior de nós mesmos e percebermos a mágica composição de nossa constituição é a poesia da vida. Poder olhar a vida e estaziar-se com sua elegância e beleza é impossibilitar-nos agir contrariamente as leis naturais e mudarmos nossos comportamentos agressivos, anti-sociais e antiéticos. Olhar a vida, portanto, como o poeta olha a palavra, é condição fundamental para que transformemos este planeta num lugar mais habitável, mais humano e mais bonito de se viver. A poesia na verdade, é a nossa essência, é o que unifica todos os povos, nosso bem comum.

Firdauz

segunda-feira, 1 de março de 2010

Nem isto nem aquilo

Geralmente se ouve dizer: aos políticos a política; aos espiritualistas as coisas do espírito. Porém, nada mais enganosa que esta afirmação. O ser humano não é dividido em departamentos, ele é tanto o céu quanto a terra; matéria e pensamento; abstrato e concreto; vida e morte; o agora e o sempre.
Infelizmente, no decorrer de nossa história, fragmentamos nosso ser e passamos a nos comportar como se fossemos seres ou apenas dos céus (e então os espiritualistas se escondem nas montanhas), ou apenas da terra (e nos transformamos em acumuladores frenéticos de bens materiais, como que viciados no verbo ter).
É preciso que compreendamos, que o caminho é para a unidade e que a espiritualidade que tanto buscamos indo aos mosteiros, fazendo yoga, meditação, etc, não está em discordância com questões concernentes a melhora do padrão de vida social, o que implica dizer que não está fora da batalha da discussão sociológica por uma comunidade mais justa e igualitária, mas muito ao contrário, nosso aprimoramento espiritual está intrinsecamente vinculado a melhora da qualidade material de toda a sociedade humana o que corresponde ao grande plano cósmico evolucionário do espírito.

POR UMA NOVA QUALIDADE DE VIDA.

É de manhã, seis horas. Você acordou. Os pensamentos ainda vêm à cabeça de forma lenta e imprecisa. Você ainda esta se desvencilhando do relaxamento provocado pela noite de sono. Estirando o corpo, espreguiçando. Neste momento, você levanta, vai para algum espaço de sua casa onde possa sentar-se confortavelmente, de preferência sobre uma almofada, coloca uma música bem suave e com volume baixo em seu aparelho de som, fecha os olhos e passa a ser observador de si mesmo. Você vai agora observar maravilhoso silêncio interno que reside dentro de você.

Você vai começar observando os seus batimentos cardíacos. As quantas anda seu coração? Sinta seu coração. Depois vai perceber sua respiração: o ar penetrando pelas suas narinas, preenchendo os seus pulmões e saindo novamente, bem docemente. Depois vai sentir os seus pés, as plantas dos pés; será que elas estão bem? Depois as suas pernas, a parte interna das pernas; estarão elas tensas? As coxas, os músculos das coxas; Como você os sente? O abdômen sinta-o relaxando; o tórax, o quanto ele pode estar tenso ou não; a garganta; estará ela arranhada ou não? Os ombros, estes carregam um enorme peso; estarão tensos? (normalmente os ombros guardam muita tensão), os braços, solte-os, deixe-os bem a vontade; as mãos, afrouxe as mãos; os dedos das mãos, relaxe-os bem; e por fim a cabeça, sinta-a bem leve e tranqüila. Tudo isto sem esquecer da sua respiração. A música lhe conduz. A atenção e o relaxamento simultaneamente sempre presentes em você. Neste momento não mantenha nenhuma pre-ocupação. As imagens vêm a sua mente, os pensamentos também vem, você deve permiti-los chegar e permiti-los irem embora também. Não se fixe em nada. Muitas imagens e pensamentos virão. Deixe-os vir e deixe-os partir. Em certos momentos, você sentirá um silêncio, o profundo silêncio que existe bem dentro de você, uma enorme paz e uma sensação de que você é uma pequena parte deste todo da criação, uma pequena partícula, mas uma partícula da maior importância porque você perceberá que esta pequena partícula é parte integrante de todas as coisas vivas que habitam este planeta, você perceberá que somos um só corpo, todos irmanados dentro de um mesmo divino projeto da criação.

Faça isto durante uns 15 a 20 minutos todos os dias e você sentirá uma qualidade nova brotando no seu ser, uma mudança na sua vida, uma nova alegria de estar vivo a partilhar a beleza da criação com todos os outros seres que habitam este nosso belo planeta.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

A EDUCAÇÃO NOSSA DE CADA DIA



Foi com grande indignação que recebi e-mail informando que os 04 adolescentes do ensino médio que ganharam o concurso nacional de Olimpíada Brasileira de Biologia, não puderam participar da 18ª Olimpíada Internacional de Biologia realizada no Canadá entre os dias 15 e 22 de julho porque o governo alegou não ter dinheiro para custear as passagens destes estudantes e mais dois acompanhantes àquele país.
A educação é prioridade no Brasil diz o presidente Lula. A educação é prioridade na Bahia, diz o governador Wagner. E todos os outros governos brasileiros dizem em coro: a educação é prioridade no meu governo. Isto independente do partido que está no poder.
E por que os políticos dizem isso quando o que vemos em todo o país é uma educação esfacelada, com professores mal pagos, escolas sem infra-estrutura para funcionar, com falta de verbas, com falta de incentivo à capacitação de professores, com materiais didáticos de baixa qualidade, com salas entupidas de alunos, com professores fazendo greve para ter seus direitos atendidos, etc? Porque hoje todos sabemos que a educação é básica para o desenvolvimento de um país como provam os vários Estados Nacionais que investiram maciçamente em educação; porque se sabe que a educação é fundamental para o fomento da cidadania e da construção de um país mais justo e igualitário; porque se sabe que está na educação o futuro da humanidade. E esta verdade está em todas as bocas: desde o homem culto até aquelas pessoas analfabetas que lutam para manter seus filhos na escola porque pensam que só ali os filhos podem vir a ter alguma chance neste competitivo mercado de trabalho. E os políticos sabem disso. E falar em educação como prioridade gera votos, gera mídia, gera possibilidade de estar no poder por mais alguns anos. Quiçá, para sempre.
Há alguns anos atrás, havia poucas escolas no Brasil para muitos jovens que não tinham acesso a ela. Educação era privilégio dos filhos de ricos e poderosos fazendeiros donos do poder político, senhores do poder econômico que sabiam que era necessário ter seus filhos uma formação universitária para poderem continuar mandando no país. E assim era feito. Com o passar dos anos a educação democratizou-se. Aos pobres, o acesso à educação foi permitido, aliás, exigido por um sistema produtivo muito mais evoluído que necessitava de uma mão de obra mais qualificada, precisava de uma mão de obra com requisitos mínimos para poder mover uma fábrica ou necessitava de pessoas que soubessem ler o mínimo para entenderem os manuais de funcionamento das máquinas e até de mecanismos simples de computação e automação.
O sistema produtivo atual não aceita mais o analfabeto. Este fica completamente a margem, cabendo-lhe tão somente serviços domésticos e similares. O sistema precisa de mão-de-obra mais qualificada, alguns inclusive com formação universitária. Foi portanto, a tecnificação do sistema produtivo que levou o Estado Brasileiro a investir um pouco mais em educação segundo as necessidades de um mercado que precisava de mão-de-obra qualificada que pudesse dar andamento à máquina burocrática, técnica e produtiva do país e... só isso. Infelizmente não houve uma política de Estado voltada para o aperfeiçoamento humano, voltada para a formação de valores humanísticos, voltada para a formação de seres humanos capazes de se inserir com qualidade em um mundo novo que se avizinhava e que vai se delineando cada vez mais como um mundo onde é necessário não apenas a formação técnica-científica, mas também a habilidade para tomar decisões, solucionar problemas, ter autonomia intelectual. O fim último da entrada da grande massa de estudantes que hoje estão em ambiente escolar, foi e continua sendo tão somente sua precária inserção no sistema produtivo.
Não há dúvida que o analfabetismo tem seus dias contados, o novo conceito agora é o do analfabeto funcional, conceito este existente apenas em países de terceiro mundo como o Brasil. Não resta dúvida também, que estamos implementando uma política educacional formadora de mão-de–obra de péssima qualidade e de formação humana nenhuma. Não há no Brasil uma política de Estado voltada para a formação de mão de obra de boa qualidade e de cidadãos aptos para o exercício da democracia. Não há interesse em se formar cidadãos críticos neste país.
As classes dominantes já não são as únicas a irem para as universidades mas são as únicas a fazerem os doutoramentos e pós-doutoramento que é exigência de mercado hoje. E as coisas afinal de contas, continuam muito parecidas, atores mudaram, o cenário mudou, a roupagem mudou, mas em essência, tudo permanece o mesmo. Se antes as massas populares eram analfabetas porque não havia necessidade de alfabetização para o trabalho, hoje, se elas entram nas escolas, é porque o mercado assim o exige, no entanto que lhes seja ensinado apenas o suficiente para lhes retirar do analfabetismo para que possam mover a máquina pública, a burocracia, e ponto final. Passamos agora a criar o analfabeto funcional. Cidadania, ora isso é coisa para os ricos, para a classe média alta que nem mais se preocupa com o terceiro grau mas sim com os doutoramentos e os outros pós.
Para a massa da população resta uma educação de última qualidade, resta uma educação entregue as traças, cuja finalidade é apenas retirar o individuo do analfabetismo para que possa servir aos interesses do capital e render muitos, muitos votos para os políticos. E enquanto isto, o país vai a deriva, como um barco a velas, solto na imensidão de um grande oceano.
E as perguntas que deixo são: mudou a visão que as elites brasileiras tem da educação tanto as de ontem quanto as de hoje? Mudou a sua visão de sociedade?

Uma Era de mudanças

Estamos arriscando tudo. Esta é uma Era de risco, o mais profundo risco pelo qual toda a humanidade jamais passou. Estamos em uma Era decisiva. Das decisões que tomarmos hoje, será o destino do ser humano para um mundo melhor ou para o que há de pior.

Idéias, milhões de idéias se cruzam neste momento no mundo movendo-o em várias direções. Antigos valores foram despedaçados pela força brutal do que chamamos desenvolvimento. Tudo que impedia o comércio e a produção em larga escala foi afastado do caminho. O mundo tornou-se unificado pelo poder financeiro e uma nova mentalidade chegou: competitiva, individualista e científica. Moderna. Os valores iluministas instalaram-se definitivamente no poder. A escolha que até aqui fizemos foi de cada um por si. E é o que continuamos a ensinar no contexto social global. A competitividade é estimulada ao paroxismo e nada importa além dela.

Pouquíssimas pessoas têm tudo enquanto bilhões não tem nada ou tem muito pouco. Exaure-se o planeta na busca incessante de matéria prima para produção de bens. Escravizam-se todas as outras espécies existentes em busca do lucro. O planeta pede socorro.

A espécie humana, dita como a mais inteligente que esta terra já viu auto devora-se levando consigo tudo ao seu redor. A necessidade de colocar o pé no freio deste frenesi desenvolvimentista faz-se mais que necessário; é urgente.

Qual o sentido deste caminhar? Para onde estamos indo?

O que estamos querendo dizer quando espoliamos um país e o levamos à miséria? Quando vemos pedintes passar ao nosso lado e nos recusamos a olhar? Quando vemos crianças desnutridas, sem família, expostas a todo tipo de privações e violência? Quando vemos a fome matar cotidianamente milhares de pessoas enquanto temos mais que suficiente para nós mesmos?

O que estamos querendo dizer quando devastamos as florestas, quando poluímos os rios, quando torturamos as outras espécies em benefício próprio? O que queremos dizer quando nos colocamos como senhores absolutos de todo reino animal, vegetal e mineral, barbarizando-os e não satisfeitos com isso, tiranizando a nos mesmos?

Onde estamos indo?

Para muitos, não há destino, não existe propósito na existência, não existe um fim determinado, uma idéia primordial. Caso não exista, deve então existir um propósito individual, uma vontade de fazer algo pelo outro, de mudar e melhorar o lugar onde vivemos, de plantar mais flores para que possamos ter o mais belo de todos os lugares.

Não há necessidade de matar o próximo, de competir acirradamente com o outro, de possuir até não poder mais, de morrer pelo ato insano de não saber viver em harmonia com o que está ao nosso redor.

Caso deus não exista no céu, deve existir um deus que flui de nossa interioridade, que pode conduzir nossos passos na construção de uma vida mais tranqüila, mais fácil, mais prazerosa, afinal estamos todos aqui neste pequeno pedaço de terra contido neste vastíssimo universo sem ter para onde ir, a não ser para dentro de nós mesmos em busca de ser feliz.

Precisamos parar um pouco e meditar sobre isso!
Firdauz

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

A PRÁTICA DA MEDITAÇÃO

Muitas pessoas gostariam de praticar meditação mas não sabem por onde começar. Ouviram falar por exemplo que a prática desta atividade faz muito bem ao espírito e a vida pessoal, que traz tranqüilidade, autoconhecimento e saúde psíquica. E isso é verdade. Ficam se imaginando meditando, tornando-se mais espirituais, mais tranqüilos, melhores. Mas ai vem uma pergunta: como meditar? o que fazer para colocar o pé na estrada e praticar? Será que é apenas ficar sentado em posição igual a que o mestre iluminado Buda ficava, - conhecida como posição de lótus - fechar os olhos e pronto? Só isto? Pensando assim, ficamos a nos imaginar sentados de olhos fechados sem fazer nada, como se estivéssemos perdendo tempo –e tempo é dinheiro – e logo desistimos cansados desta imagem que não nos agrada.

Na verdade a meditação é a arte/ciência de buscar o silêncio interior. E para encontrar este silêncio pode-se e deve-se utilizar várias técnicas que foram criadas ao longo dos milênios, principalmente pelo povo oriental. Estas técnicas variaram muito ao longo dos tempos. Os yogues, os sufis, os zen-budistas e vários mestres orientais como Buda, paramahansa Yogananda, Osho, etc, criaram muitas técnicas, para auxiliar as pessoas a se encontrarem através desta prática. Portanto, a primeira coisa que se tem que saber é que ficar sentado em posição de lótus - a posição do Buda – é apenas uma das muitas centenas de técnicas de fazer meditação e segundo alguns, das mais difíceis.

Encontrar o silêncio interior requer prática e compromisso. Requer coragem para se autoconhecer. Coragem porque pode ser encontrada muita coisa bem no fundo de si mesmo que você não gostaria ou que nem imaginava que estivesse ali, bem no inconsciente. A prática inicial do meditador é o testemunhar. Qualquer tipo de técnica que você utilizar, utilize-a para ser um observador de si mesmo. Se a técnica que for usada for a de sentar-se na posição de lótus, sente-se e tente observar o pensamento, o que ocorre com ele, para onde ele vai, quais os pensamentos que vem a sua mente, etc. O importante é você conseguir ser uma testemunha de si mesmo, não se identificar com o próprio pensamento, deixá-lo vir e deixá-lo passar, ser testemunho consciente deste tráfego ininterrupto que é o nosso pensamento. Pratique isto de início e você começará a sentir que aquela imagem que fazia do ato de meditar começará a mudar, você começará a perceber sentido neste ato, e mais ainda, começará a perceber que você pode ser o senhor de seus pensamentos, senhor de seus atos e não mero joguete que vaga ao sabor de suas emoções, de seus pensamentos, de seus humores e passará a ter mais controle sobre si mesmo. Comece por este caminho e você verá porque a meditação é hoje tão necessária para se ter uma vida mais equilibrada e feliz.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Por que meditar?

Certo dia estava conversando com um amigo e ele me dizia que com a vida corrida que levava, não lhe sobrava tempo para meditar. Que achava muito importante a meditação mas ainda não lhe restava tempo para praticá-la. E eu pensava que com certeza, enquanto ele não entendesse realmente o significado da prática da meditação para ter uma vida melhor, jamais ia ter tempo para praticá-la.
Damos prioridade àquilo que consideramos mais importante para nossa vida e na escala destas importâncias, para a imensa maioria das pessoas, a meditação ou está em último lugar ou sequer entrou nesta escala.
Acontece que a prática da meditação ainda é tida apenas como uma atividade religiosa para a imensa maioria das pessoas. Alguma coisa não palpável neste nosso mundo tão pragmático. Ainda não se vivenciou a relação profunda que existe entre a meditação e uma vida mais equilibrada e venturosa.
Somos seres possuidores de um aparelho mental que é estimulado a viver vinte e quatro horas ligado e por muitas vezes, sequer quando dormimos o desligamos. A sociedade moderna estimula o funcionamento da mente a ponto de a tornar um perigo para nossa própria integridade. Quantas pessoas não conseguem dormir a noite? Quantas pessoas não falam solitariamente na rua?
Quantas pessoas não se deixam envolver por questiúnculas que acabam tornando-se verdadeiras tempestades transtornando de momento para o outro, toda uma vida? Para milhões de pessoas, a mente transformou-se em um poderoso instrumento de sofrimento e dor. É ela quem conduz quem deveria ser o condutor. Ela inventa, cria situações, compara umas pessoas com as outras, julga, muda de humor de uma hora para outra, estimula competição, declara guerra, enfim, provoca estragos àquelas pessoas que não conseguem controlá-la e por isto acabam cometendo erros atrás de erros. A meditação surge para aquietar a mente, acalmá-la, fazer dela um instrumento para nosso próprio crescimento. A meditação surge para darmos uma freada nos nossos passos e olharmos para onde estamos caminhando. Será este o meu caminho? Não terei tomado um caminho errado nesta jornada chamada minha vida? Não estarei indo em direção falsa e perigosa? O que estou fazendo de minha vida? O que estou fazendo nesse agora? A meditação surge para nos ilustrarmos quanto a nós mesmos, quanto aos nossos passos. Por isto sua prática também produz certo receio nas pessoas porque vai nos colocar frente a frente conosco mesmo. E como mentirmos para nós mesmos? Por vezes preferimos viver na mentira em vez de enfrentarmos os desafios que são nossas reais escolhas. Por vezes preferimos viver uma vida infeliz e miserável a enfrentar os perigos da busca da felicidade. Mas a vida é perigosa em si mesma, é de sua natureza o perigo. E é maravilhoso que assim seja. A meditação nos ensina a abrir os olhos para estes perigos e a amá-los.
Firdauz

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Nosso Sonho

Um sonho se constrói aos poucos, passo a passo, devagar, olhando com cuidado as pedras, os buracos, os entraves que todo sonho, quando bem sonhado, possui.
Não existe um bom sonho sem entraves ou pedras no caminho como já dizia o poeta, porque são elas que nos afiam para enfim, nos regozijarmos com o sonho alcançado.
Digo que não existe um sonho sem entraves porque eles se colocam para nós como desafios. Um sonho é um desafio, caso contrário ele será apenas um devaneio, um fogo de coivara, rápido, fugaz, sem importância. Um sonho ao contrário é uma luta, é um combate, o chamado bom combate, como dizia São Paulo aos seus discípulos. E morrer por um bom combate é morrer em glória.
Um sonho significa construção, mudança, tanto interna quanto externa. Na medida que o sonhador vai sonhando, ele também vai construindo a si mesmo e ao mundo. Um sonho bem sonhado é a união do espírito, do cérebro e do corpo. O espírito é a fonte de onde emana o sonho, é o que sente, intui, chora, se regozija, se emociona metabolizando a transformação interna que se processa no sonhador. O cérebro é o que pensa, elabora, sintetiza, organiza, ordena as ações do sonhador, e o corpo é aquele que executa, molda, transforma os materiais em realidade segundo as possibilidades do sonhador. O sonho e o sonhador são um só. Enquanto um é céu e ar o outro é terra, enquanto um é pensamento e espírito o outro é matéria.
O ser humano é ambos, somos uma unidade. O céu, o ar e a terra unidos na construção de uma vida melhor e mais venturosa. O espírito, o pensamento e a matéria se unificam e dão sentido à nossa existência. É essa união que faz o ser humano completo.
Sonhar, portanto, é fundamental na construção de um ser humano mais total. Infelizmente, passamos hoje por dias terríveis com muitos querendo acabar com os sonhos e querendo fazer de nós meros robôs, reprodutores de padrões televisivos nos ditando normas e formas de pensar e de agir. Passamos por momentos em que o sonho está sendo vitimado pela ignorância de poucos que ensinam muitos a ter medo de sonhar e de enfrentar as pedras no caminho de seu sonho. Muito poucos que estão no poder, por ignorância ou por ganância, querem acabar com os sonhos porque sabem que um ser humano sem sonhos, não é um ser humano completo, mas um arremedo, um seguidor fácil de ser enganado e comandado, um ser humano sem alma, sem inteligência e sem individualidade. E sabem também o perigo que representa para a ordem vigente, aquele ser que sonha, que realiza, que inventa e determina seu próprio caminho. Porque este não se curva frente as dificuldades para alcançar seu intento, este busca, de todos os modos, alcançar seu objeto de desejo na vida porque sabe que não alcançá-lo significa morrer em vida. E é neste buscar, neste ímpeto indomável de conseguir o que almeja que ele, inevitavelmente, se torna indivíduo.
E o que se pode fazer com um indivíduo senão respeitá-lo?

Dhyan Firdauz

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Nossa triste aldeia

Se fosse possível reduzir a população do mundo inteiro em uma vila de 100
pessoas,mantendo a proporção do povo existente agora no mundo, tal vila seria
composta de:

57 Asiáticos
21 Europeus
14 Americanos (Norte, Centro e Sul)
8 Africanos

52 mulheres
48 homens

70 não brancos
30 brancos

70 não cristãos
30 cristãos

89 heterossexuais
11 homossexuais (assumidos)

6 pessoas que possuiriam 59% da riqueza do mundo inteiro e todos os
6seriam dos EUA.

E mais:
80 viveriam em casas inabitáveis
70 seriam analfabetos
50 sofreriam de desnutrição
1 estaria para morrer
1 estaria para nascer
1 teria computador
1 (sim, apenas 1 teria formação universitária)

Se o mundo for considerado sob esta perspectiva, a necessidade de aceitação,
compreensão e educação torna-se evidente. Considere ainda que:

Se você acordou hoje mais saudável do que doente, você tem mais sorte do que
um milhão de pessoas que não verão a próxima semana.

Se nunca experimentou o perigo de uma batalha, a solidão de uma prisão, a
agonia da tortura,a dor da fome, você tem mais sorte que 500 milhões de
habitantes no mundo.

Se você pode ir à igreja sem o medo de ser bombardeado, preso ou torturado,
você tem mais sorte que 3 milhares de pessoas no mundo.

Se você tem comida na geladeira, roupa no armário, um teto sobre sua cabeça,
um lugar para dormir, considere-se mais rico que 75% dos habitantes deste
planeta.

Se tiver dinheiro no banco, na carteira ou um trocado em alguma parte,
considere-se entre os 8% das pessoas com a melhor qualidade de vida no mundo.

Se seus pais estão vivos e ainda juntos, considere-se uma pessoa muito rara,
mesmo nos USA e Canadá.

Se puder ler esta mensagem, você recebeu uma dupla benção, pois alguém pensou
em você e você não está entre os 2 milhões de pessoas que não sabem ler.

Você conhece os princípios do Reiki?

Só por hoje, eu viverei a atitude de gratidão;
Só por hoje, eu não me preocuparei;
Só por hoje, eu não me irritarei;
Só por hoje, eu farei meu trabalho honestamente;
Só por hoje, eu mostrarei amor e respeito por todo ser vivente.

Somos céu e terra

Geralmente se ouve dizer: aos políticos a política; aos espiritualistas as coisas do espírito. Porém, nada mais enganosa que esta afirmação. O ser humano não é dividido em departamentos, ele é tanto o céu quanto a terra; matéria e pensamento; abstrato e concreto; vida e morte; o agora e o sempre.
Infelizmente, no decorrer de nossa história, fragmentamos nosso ser e passamos a nos comportar como se fossemos seres ou apenas dos céus (e então os espiritualistas se escondem nas montanhas), ou apenas da terra (e nos transformamos em acumuladores frenéticos de bens materiais, como que viciados no verbo ter).
É preciso que compreendamos, que o caminho é para a unidade e que a espiritualidade que tanto buscamos indo aos mosteiros, fazendo yoga, meditação, etc, não está em discordância com questões concernentes a melhora do padrão de vida social, o que implica dizer que não está fora da batalha da discussão sociológica por uma comunidade mais justa e igualitária, mas muito ao contrário, nosso aprimoramento espiritual está intrinsecamente vinculado a melhora da qualidade material de toda a sociedade humana o que corresponde ao grande plano cósmico evolucionário do espírito.